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		<title>O Barato no Divã: droga &#038; voz do usuário¹</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Mar 2024 14:21:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Por que um curso cujo título é “A voz do usuário”? Porque muito se fala sobre os usuários de drogas, sem que sejam consideradas nem as distinções mais básicas que a clínica nos ensina: há diferentes tipos de usos e nem todos requerem tratamento, pois não configuram um problema em si. (Reale, Carezzato, 2017) Dar [&#8230;]</p>
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<p>Por que um curso cujo título é “A voz do usuário”?</p>



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<p>Porque muito se fala sobre os usuários de drogas, sem que sejam consideradas nem as distinções mais básicas que a clínica nos ensina: há diferentes tipos de usos e nem todos requerem tratamento, pois não configuram um problema em si. (Reale, Carezzato, 2017)</p>



<p>Dar voz, encontrar a voz, ouvir a voz dos usuários torna-se imperativo! Como podemos delimitar os usos que não são patológicos se não somos capazes como clínicos de reconhecer onde e como vivem os usuários cujas formas de uso não adquirem coloridos psicopatologicamente reconhecíveis? E, quando atingem estes patamares, como eles fazem a famigerada “viagem de volta” (Galduroz &amp; Masur, 1990) se lhes for dada essa chance? Uma significativa parcela dos dependentes acabam confinados e cooptados pelos modelos dominantes dos cenários das internações em comunidades – autodenominadas – terapêuticas (Santos, 2018; Rui e Fiore, 2021). Deles são os discursos mais conhecidos amplamente reproduzidos, dada a presença maciça do hegemônico modelo dos 12 passos, pautados originalmente em grupos de autoajuda. E nesse modelo não se faz distinção entre os diferentes tipos de uso, estabelecendo e fortalecendo os jargões que dominam o senso comum sobre as drogas: droga mata! Buscamos diminuir a distância com culturas que nascem na e da periferia, entendida como um território que originalmente localiza-se à margem, não apenas geograficamente, mas do centro do poder. A experiência de distanciamento do <em>establishment</em> é um ponto comum da chamada contracultura resumida no slogan “sexo, drogas &amp; rock’n’roll” e da cultura geek, destacando os gamers e cia, onde alguns usuários podem tornar-se aditos de outros objetos que não as drogas. Inspirados em estudos das próprias (sub)culturas das drogas (Labate et al, 2008) e nas clássicas contribuições da teoria do rótulo de Howard Becker (1973) e do estudo seminal de 1978 sobre estigma de Erving Goffman (2015), vimos ao longo de décadas (Reale, 1995) buscando abrir espaço para o encontro dessa voz.</p>



<p class="has-small-font-size">¹ Esta matéria foi baseada no texto originalmente escrito como introdução e justificativa para apresentar o curso para o Instituto Sedes Sapientiae. Agradeço a leitura e contribuições de Gabriel Rocha Teixeira Mendes para esse texto e nos preparativos para que chegássemos a viabilizar a apresentação desta proposta de curso.</p>



<p>Também encontraremos, nas produções culturais e artísticas, manifestações diretas da voz do usuário. A música e a dança como hip hop, rap e funk (Gimeno, 2009) jazz e rock, fornecem de uma forma viva e vibrante como as vozes dos usuários gritam sua situação para uma sociedade que os ignora ou persegue.</p>



<p>No encontro do cinema com a literatura, partimos do emblemático filme <em>Naked Lunch</em> de Cronemberg (1991), cujo roteiro (Felix, Ponte, &amp; Durão, 2011) foi baseado no livro de mesmo nome de William Burroughs (Harris, 2003; Oliveira, 2023). Com a filmografia de Cronemberg (Lobo, 2016) também fica introduzido aqui um autor cujo gênero transita entre <em>horror film</em> ou<em> body horror</em>. Realizador do filme <em>Crimes do Futuro</em> (2022), ele aborda de maneira perturbadora a <em>body art</em>, tema que foi arrolado como uma face sombria que radicaliza a manipulação do corpo própria, do universo amplo das tatuagens. Essa face nos remete ao fascínio produzido pelo horror, como é discutido no primoroso ensaio psicanalítico de Kristeva ((1982), O poder do horror, ensaio sobre a abjeção.</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="684" src="https://obaratonodiva.com.br/wp-content/uploads/2024/03/psicologia-1024x684.png" alt="psicologia e drogas" class="wp-image-12250" style="width:492px;height:auto" srcset="https://obaratonodiva.com.br/wp-content/uploads/2024/03/psicologia-1024x684.png 1024w, https://obaratonodiva.com.br/wp-content/uploads/2024/03/psicologia-300x200.png 300w, https://obaratonodiva.com.br/wp-content/uploads/2024/03/psicologia-768x513.png 768w, https://obaratonodiva.com.br/wp-content/uploads/2024/03/psicologia-1536x1026.png 1536w, https://obaratonodiva.com.br/wp-content/uploads/2024/03/psicologia.png 1878w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p></p>



<p>As culturas tradicionais, sobretudo quando assimiladas e repaginadas em ambientes urbanos (Nhanderu, 2023; Ribeiro, 2019), mostram-nos a criatividade e busca de formas de minimizar as rupturas com muitas de nossas raízes que os grandes centros urbanos – megalópoles como São Paulo – historicamente forjaram e aprofundaram ao longo dos séculos de sua existência. Como fênices transmutadas, fazem brotar do asfalto beberagens e pós extraídos de plantas e raízes que antes permaneciam como práticas exclusivamente recônditas dos povos das florestas.</p>



<p>Por outro lado, sabemos que desde a infância a procura por alterações da consciência, mesmo que mínimas, habita o universo lúdico infantil. E essas vias lúdicas sem uma participação direta de substâncias psicoativas, imbricam-se com os jogos configurados para nos transportar para a realidade virtual, promover encontros e amizades, num ambiente onde a imersão estende a experiência temporal e espacial para outras dimensões.</p>



<p>Ao gosto de roteiro e citações em filmes gênero fantasia ou sci-fi, experimentos com câmaras de privação sensorial, por exemplo, apontam para tecnologias que reúnem o sonho da expansão das fronteiras da vida humana para além de nosso planeta, lado a lado com a expansão da consciência para além do uso comum que fazemos dela na vida cotidiana.</p>



<p>Não podemos ignorar que os relatos de nossos casos clínicos dão voz aos usuários cujos usos ganharam matizes compulsivas (Reale, 2023). E uma vez instaladas as compulsões, os usuários enfrentam uma amplificação de problemas por se tornarem incapazes de perderem a capacidade de escolher quando, quanto e como usar sua droga de eleição.</p>



<p>E tal como vimos fazendo há vários anos, dentro de uma perspectiva interdisciplinar continuamos a privilegiar o olhar psicanalítico, seguindo nossa forma de pensar e praticar a clínica, em cursos e nos seminários clínicos da série <strong>A clínica em tempos de fim de Guerra às Drogas,</strong> organizados pelo O Barato no Divã desde 2011. Este novo curso aposta na ampliação de nosso olhar clínico pela elucidação e encontro com forças sociais e culturais que também nos condicionam.</p>



<p class="has-small-font-size"><strong>Bibliografia</strong></p>



<p class="has-small-font-size">BECKER, Howard Saul. <strong>Outsiders: </strong>Estudos da sociologia do desvio.Rio de Janeiro, Zahar, 2008.</p>



<p class="has-small-font-size">FÉLIX, José Carlos; PONTE, Charles; AKCELRUD DURÃO, Fábio. Da dialética da intoxicação em Naked Lunch. <strong>Terceira Margem</strong>, v.&nbsp;15 n.&nbsp;24 (2011): Literatura e Cinema. Disponível em: <a href="https://revistas.ufrj.br/index.php/tm/article/view/10935" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://revistas.ufrj.br/index.php/tm/article/view/10935</a>.</p>



<p class="has-small-font-size">GIMENO, Patricia Curi. <strong>Poética versão</strong>: a construção da periferia no rap. 169&nbsp;p. [s.n., <em>s.&nbsp;l.</em>], 2009. Disponível em: <a href="http://repositorio.unicamp.br/jspui/handle/REPOSIP/281717" target="_blank" rel="noreferrer noopener">http://repositorio.unicamp.br/jspui/handle/REPOSIP/281717</a>. Acesso em: 23&nbsp;mar. 2024.</p>



<p class="has-small-font-size">GALDURÓZ, José Carlos Fernandes &amp; Masur, Jandira. The unofficial history of drug use: a study in a Brazilian sample.&nbsp; <strong><em>British Journal of Addiction</em></strong>, n. 85, p. 1577-1581, 1990. [Research report]</p>



<p class="has-small-font-size">GOFFMAN, Erving. Estigma: notas sobre a manipulação da identidade deteriorada. Rio de Janeiro, 4ª ed, LTC, 2015</p>



<p class="has-small-font-size">HARRIS, Oliver. <strong>William Burroughs and the secret of fascination</strong>. Carbondale: Southern Illinois University Press, 2003. 287&nbsp;p. ISBN 0809324849.</p>



<p class="has-small-font-size">KIRSCH, H.; REALE, D.; OSTERLING, J. Hard-to-Reach or Out-of-Reach? São Paulo Outreach Workers in Inner city Addicts. In: KIRSCH, H. (ed) <strong>Drug Lessons &amp; Education Program in Developing Countries</strong>. New Brunswick, Transaction Publishers, 1995</p>



<p class="has-small-font-size">KRISTEVA, Julia. <strong>Powers of horror</strong>: an essay on abjection. New York: Columbia University Press, 1982. 219&nbsp;p. ISBN 9780231053464.</p>



<p class="has-small-font-size">LABATE, Beatriz Caiuby; GOULART, Sandra; FIORE, Maurício, MACRAE, Edward, e CARNERO, Henrique (orgs). <strong>Drogas e cultura: </strong>novas perspectivas. Salvador, Edufba, 2008.</p>



<p class="has-small-font-size">LOBO, Rafael Santos de Gusmão. <strong>New flesh</strong>: a cosmovisão de horror de David Cronenberg. 2016. Repositório Institucional da UnB, [<em>s.&nbsp;l.</em>], 2016. Disponível em: <a href="http://repositorio.unb.br/handle/10482/21150" target="_blank" rel="noreferrer noopener">http://repositorio.unb.br/handle/10482/21150</a>. Acesso em: 23&nbsp;mar. 2024.</p>



<p class="has-small-font-size">NHANDERU. Disponível em: <a href="https://www.nhanderuxamanismo.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://www.nhanderuxamanismo.com.br/</a>. Acesso em: 23&nbsp;mar. 2024.</p>



<p class="has-small-font-size">OLIVEIRA,&nbsp;V.&nbsp;N.&nbsp;S. William Burroughs e as drogas: interfaces entre a literatura, a política e a clínica AD. <strong>Revista Quimera</strong>, n.&nbsp;5, abr. 2023. Disponível em: <a href="https://www.revistaquimera.org/?p=889" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://www.revistaquimera.org/?p=889</a>.</p>



<p class="has-small-font-size">REALE, Diva; CAREZZATO, Fábio. Drogas e tratamento: panorama crítico. In.&nbsp;Figueiredo, R.; Feffermann, M.; Adorno, R.&nbsp;<strong>Drogas &amp; Sociedade Contemporânea: perspectivas para além do proibicionismo.&nbsp;</strong>São Paulo: Instituto de Saúde, Coleção Temas em Saúde Coletiva, n. 22, 2017.</p>



<p class="has-small-font-size">REALE, Diva. O analista demiurgo: do caos à voz do caso. <strong>Revista Quimera</strong>, n.&nbsp;5, abr. 2023. Disponível em: <a href="https://www.revistaquimera.org/?p=899" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://www.revistaquimera.org/?p=899</a>.</p>



<p class="has-small-font-size">RIBEIRO, Sidarta. <strong>O oráculo da noite &#8211; A história e a ciência do sonho</strong>. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.</p>



<p class="has-small-font-size">RUI, Taniele; FIORE, Mauricio (editores). <strong>Working Paper Series</strong>: comunidades terapêuticas no Brasil. Brooklyn: Social Science Research Council, junho de 2021. SANTOS, M. P. G. <strong>Comunidades Terapêuticas:</strong> temas para reflexão. Maria Paula Gomes dos Santos (org.). Rio de Janeiro: IPEA, 2018.</p>
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