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	<title>Diva Reale &#8211; O Barato no Divã</title>
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	<title>Diva Reale &#8211; O Barato no Divã</title>
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		<title>GREF ¹ um breve relato: onde tudo começou. Parte II</title>
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		<dc:creator><![CDATA[O Barato no Divã]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Dec 2021 14:02:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diva Reale]]></category>
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		<category><![CDATA[não há drogados felizes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Série história/memórias Ao buscar ampliar as práticas que pudessem apurar nosso atendimento das formas mais intrincadas de apresentação clínica dos abusos e dependências de drogas, decidimos começar a estudar precocemente um dos aspectos mais controversos e desafiadores desta clínica: a questão das múltiplas facetas e recortes conceituais envolvendo o termo antissocial. Foi assim que introduzimos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Série história/memórias</p>



<p></p>



<p>Ao buscar ampliar as práticas que pudessem apurar nosso atendimento das formas mais intrincadas de apresentação clínica dos abusos e dependências de drogas, decidimos começar a estudar precocemente um dos aspectos mais controversos e desafiadores desta clínica: a questão das múltiplas facetas e recortes conceituais envolvendo o termo antissocial. Foi assim que introduzimos o estudo do livro&nbsp;<strong><em>Privação e Delinquência</em></strong>&nbsp;de Winnicott, na sequência do livro de Olievenstein&nbsp;<strong><em>Não há drogados felizes</em></strong>. Encontramos muita abertura na direção que buscávamos encontrar na posição contracorrente de Winnicott quando ele fez a descrição do que viria a ser conhecido como tendência antissocial. E isto, já estávamos fazendo naqueles anos pioneiros do início dos anos 80, ainda sem muita clareza de como estávamos transgredindo e rompendo com uma certa tradição. A proximidade que a psiquiatria ainda mantinha com a perspectiva psicodinâmica tornava a percepção de que as buscas inquietas destes psiquiatras-residentes ainda mantinham uma certa continuidade com o grande campo da psiquiatria. Primeiro buscávamos detectar os transtornos de personalidade; de maneira a não subestimar a importância de um conjunto de sintomas que afetavam seriamente a vida do portador daquela condição; em seguida era preciso desacreditar parcialmente deste diagnóstico ao apostar na cura ao menos parcial dos problemas elencados que poderiam ser associados a este diagnóstico.</p>



<p>De forma isolada a leitura de Winnicott deslocou o caráter excessivamente pessimista, intrinsicamente fechado e pejorativo como eram vistos os pacientes que preenchiam critérios para o diagnóstico de transtorno de personalidade. Com ele tivéramos contato com o conceito de tendência antissocial na infância, e a diferenciação diagnóstica desta tendência daquilo que seria a delinquência, instalada posteriormente. Embora houvesse esta diferenciação inspiradora e completamente original muitos de nossos pacientes adultos jovens já tinham uma longa trajetória existencial, com histórico de atos antissociais de severidade variável. Os problemas que precisávamos enfrentar clinicamente com nossos pacientes adultos não eram contemplados de forma direta pelas formulações de Winnicott; mesmo assim a semente de seu pensamento original, serviu para pavimentar um caminho para uma clínica com mais esperança. </p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://lirp.cdn-website.com/24f02e8e/dms3rep/multi/opt/n%C3%A3o-ha-drogas-felizes-1920w.jpg" alt=""/></figure>



<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;</p>



<p>GREFE¹: grupo de estudos sobre farmacodependência, fundado por 3 residentes de 1º ano, da Residência em Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, em 1982: Ariel Bogochvol, Diva Reale e Luiza Helena Vilas Boas. </p>



<p> A questão da relação do antissocial – que deve ser devidamente distinguido em comportamento, ato, traço ou personalidade &#8211; e o uso de drogas ilícitas, não pode ser bem discutido se não se levar em conta o efeito do estatuto ilegal de determinadas drogas que a história do proibicionismo revela (Carneiro, 2018). Reduzir o gesto de experimentação ou uso de uma droga ilícita como algo primeiramente antissocial, e como um problema em si, desconhece alguns aspectos cuja discussão crítica aprimora a abordagem clínica. Primeiro que entre adolescentes e jovens a busca pelo proibido, por aquilo que carrega uma excitação adicional à exploração do desconhecido, além de ser relativamente comum, não indica necessariamente algo a ser aproximado de qualquer tendência antissocial ou característica psicopatológica.<br>Um segundo aspecto advém do conhecimento da existência de determinantes sociais e culturais cujos estudos antropológicos das subculturas de usuários de drogas específicas (MacRae, Simões, 2004) são capazes de trazer à luz para tonificar o conjunto de saberes e inspirar práticas terapêuticas mais acuradas. A partir da perspectiva que estes estudos adotam reconhecemos que existem práticas comuns de trocas muito mais ligadas a um tipo de solidariedade grupal do que por interesses comerciais propriamente ditos. Portanto é preciso investigar o sentido que o uso ou mesmo as trocas entre usuários de pequenas quantidades da droga adquire. Além disso ao avaliar um paciente usuário dependente, é preciso lembrar e investigar na anamnese quais e como se instituíram seus rituais de consumo, bem como qual é o seu pertencimento subculturas ou grupos de usuários de drogas específicas, lembrando também que se deve levar em consideração o quanto estes usuários são ou não incluídos em setores socialmente integrados (MacRae, Simões, 2016; Veríssimo, 2016].<br>Para poder instituir esta forma interdisciplinar de cuidar de nossos pacientes tínhamos de fazer uma dupla operação, uma de validação e outra de invalidação parcial dos diagnósticos psiquiátricos que continuávamos aprendendo.<br>Este duplo movimento implicava primeiro em reconhecer a tradição que se constitui na construção de um determinado campo de conhecimento e práticas correlatas, como o da psiquiatria pautada no modelo médico, hoje hegemônico. Este era um primeiro movimento necessário. Estabelecer uma ruptura com este mesmo campo tornou-se necessário. Por quê? A reprodução fiel dos aprendizados circunscritos a este campo médico hegemônico foi mostrando um efeito clínico indesejável: para certos diagnósticos, principalmente aqueles relacionados aos chamados transtornos de personalidade, produzia um efeito de fechamento excessivo do prognóstico. Entendo hoje que este movimento de ruptura trouxe uma vantagem ética; vantagem na medida em que parecia poder ser possível vislumbrar uma ampliação do campo existencial de inclusão e de conquista de autonomia para estes pacientes. Para isto acontecer e não incorrermos em enrijecer nossas posturas neste campo inaugurado, devíamos ser capazes de manter uma postura de apaixonamento e distanciamento, aceitando que estas eventuais inovações, fruto destas transgressões epistêmicas que eventualmente cometemos, precisariam ser expostas e passarem pela provação de poderem ser debatidas e investigadas pelos pares diretos e pelo conjunto de profissionais que haviam se disposto a se dedicar seriamente a ampliar nosso campo de atuação clínica. <br>Enquanto um grupo de estudos, ligado diretamente a uma instituição médica, nos deparamos com um problema: estas abordagens não circunscritas ao modelo médico tradicionalmente usado nas pesquisas epidemiológicas, geravam um produto ou sumo de aprendizado que quase não encontrava espaço nas revistas de psiquiatria mais almejadas do ponto de vista editorial. Éramos meros residentes de psiquiatria dando seus primeiros passos, e, alguns de nós, já tínhamos a determinação e convicção de que a psicanálise seria o complemento formativo imprescindível. Sem que conseguíssemos publicar os trabalhos clínicos, enquanto grupo tínhamos pouca chance de sobreviver de forma independente naquela instituição. E isso veio de fato a acontecer ao cabo de cinco anos de existência solo: o GREF foi assimilado ao GREA, seguindo um movimento geral desta subespecialidade clínica que hoje denominamos ‘álcool e outras drogas’: reunir num mesmo grupo o estudo, pesquisa e tratamento de pacientes com diagnósticos associados ao conjunto de substâncias psicoativas, lícitas ou ilícitas. E com esta assimilação também minguaram neste novoo IPQ, as práticas clínicas psicodinâmicas e interdisciplinares, tal como havíamos instituído no GREF, nestes seus cinco anos de existência solo.<br>O desejo de manter-se independente do mainstreaming, exigiu uma busca de espaço para instituir novos projetos. Como médica psiquiatra concursada do estado, no Ambulatório de saúde mental da Lapa, a partir de 1985, pude reunir condições para criar elaborar e implantar em 1991 o PPUID, Projeto Prevenção ao Uso Indevido de Drogas e Aids (PPUID-Aids/ERSA-2, 91-94), gestado desde 1989.<br>Sendo uma história feita de rupturas, descontinuidade e retomadas em novos contextos e com novos formatos, poder ser contada e veiculada em distintos contextos e veículos. A elucidação, ao menos parcial de como o pensamento clínico axial presente no Barato no divã foi sendo formado, encontrou um apoio inicial na narrativa desta história (Reale, 2021).</p>



<p><strong>Referências</strong><br>Carneiro, H. <strong>A história do proibicionismo.</strong> São Paulo, Autonomia libertária, 2018.<br>MacRae, E; Simões, J. A. A subcultura da maconha, seus valores e rituais entre setores socialmente integrados. In: MacRae, E; Alves, W.C. (orgs). <strong>Fumo de Angola: canabis, racismo, resistência cultural e espiritualidade.</strong> Salvador, EDUFBA, 2016. p. 261-274.<br>Reale, D. <strong>Estudo de caso: O Barato no divã, relato de uma experiência.</strong> Trabalho apresentado no Seminário Educação, do VIIIº Congresso Internacional da ABRAMD. Por uma Política de drogas Democrática, Inclusiva e Diversa, Recife/online (regime híbrido), 12/11/2021 (versão online).</p>



<p>Veríssimo, M. Do maconheiro ao <em>canabier</em>: os autocultivos, domésticos, e outras domesticações. In: MacRae, E; Alves, W.C. (orgs). <strong>Fumo de Angola: canabis, racismo, resistência cultural e espiritualidade.</strong> Salvador, EDUFBA, 2016. p. 275-295.</p>
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		<title>GREF um breve relato: onde tudo começou</title>
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		<dc:creator><![CDATA[O Barato no Divã]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 Nov 2021 20:10:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diva Reale]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Primeira aproximação da clínica de dependentes de drogas ilícitas. Série história/memórias GREF[1] um breve relato: onde tudo começou Diva Reale Ainda no primeiro ano da Residência recebi um convite para dar uma aula sobre Toxicomania a alunos de 5º ano da Medicina, o que fizemos com mais dois colegas residentes[2]. Empolgados com o que descobrimos estudando [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div id="1700776665" class="dmNewParagraph" data-element-type="paragraph" data-uialign="center" data-version="5">
<p>Primeira aproximação da clínica de dependentes de drogas ilícitas.</p>
</div>
<div id="1750185103" class="u_1750185103 imageWidget align-center" data-element-type="image" data-widget-type="image"><img decoding="async" id="1129580552" class="" src="https://lirp.cdn-website.com/24f02e8e/dms3rep/multi/opt/instituto-de-psiquiatria-1920w.jpg" data-dm-image-path="https://irp.cdn-website.com/24f02e8e/dms3rep/multi/instituto-de-psiquiatria.jpg" /></div>
<div id="1250789679" class="u_1250789679 dmNewParagraph" data-dmtmpl="true" data-element-type="paragraph" data-uialign="center" data-version="5">
<p>Série história/memórias</p>
<p>GREF<a class="font-size-11 m-font-size-9" href="/Users/lucia/Documents/Sancho/Clientes/O%20Barato%20no%20Div%C3%A3/Mat%C3%A9rias/Diva/mem%C3%B3rias%20GREF.docx#_ftn1" target="_blank" rel="noopener">[1]</a><span class=""> um breve relato: onde tudo começou</span></p>
<p>Diva Reale</p>
<p>Ainda no primeiro ano da Residência recebi um convite para dar uma aula sobre Toxicomania a alunos de 5º ano da Medicina, o que fizemos com mais dois colegas residentes<a class="font-size-11 m-font-size-9" href="/Users/lucia/Documents/Sancho/Clientes/O%20Barato%20no%20Div%C3%A3/Mat%C3%A9rias/Diva/mem%C3%B3rias%20GREF.docx#_ftn2" target="_blank" rel="noopener">[2]</a>. Empolgados com o que descobrimos estudando para esta aula decidimos ampliar nosso contato com este tema e<span class=""> </span><a href="/Users/lucia/Documents/Sancho/Clientes/O%20Barato%20no%20Div%C3%A3/Mat%C3%A9rias/Diva/mem%C3%B3rias%20GREF.docx#_ftn1" target="_blank" rel="noopener">fundamos em 1982 o Grupo de Estudos de Farmacodependência</a> <a class="font-size-11 m-font-size-9" href="/Users/lucia/Documents/Sancho/Clientes/O%20Barato%20no%20Div%C3%A3/Mat%C3%A9rias/Diva/mem%C3%B3rias%20GREF.docx#_ftn1" target="_blank" rel="noopener">[GREF]</a><a href="/Users/lucia/Documents/Sancho/Clientes/O%20Barato%20no%20Div%C3%A3/Mat%C3%A9rias/Diva/mem%C3%B3rias%20GREF.docx#_ftn1" target="_blank" rel="noopener">, primeiro grupo voltado ao estudo e atendimento clínico de pacientes com problemas de abuso e dependência de drogas ilícitas, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das</a> Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.</p>
<p>Para que no futuro pudéssemos implantar um atendimento em grupo, inspirados no bordão “sem desejo nem memória”, buscamos na leitura conjunta do “Experiências com grupos”, a sustentação teórico-clínica para esta primeira aventura terapêutica. Tivemos um grande aprendizado, com a sustentação da condução deste grupo de jovens drogados<a class="font-size-11 m-font-size-9" href="/Users/lucia/Documents/Sancho/Clientes/O%20Barato%20no%20Div%C3%A3/Mat%C3%A9rias/Diva/mem%C3%B3rias%20GREF.docx#_ftn3" target="_blank" rel="noopener">[3]</a><span class="">, mais além, ou muito aquém do que aprendemos com Bion.</span></p>
<p class="m-size-9 size-11">
<span class="font-size-11 m-font-size-9"> </span><a class="font-size-11 m-font-size-9" href="/Users/lucia/Documents/Sancho/Clientes/O%20Barato%20no%20Div%C3%A3/Mat%C3%A9rias/Diva/mem%C3%B3rias%20GREF.docx#_ftnref1" target="_blank" rel="noopener">[1]</a><span class="font-size-14 m-font-size-11"> GREFE: grupo de estudos sobre farmacodependência, fundado por 3 residentes de 1º ano, da Residência em Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, em 1982: Ariel Bogochvol, Diva Reale e Luiza Helena Vilas Boas.</span></p>
<p class="text-align-left m-size-9 size-11"><a class="font-size-11 m-font-size-9" href="/Users/lucia/Documents/Sancho/Clientes/O%20Barato%20no%20Div%C3%A3/Mat%C3%A9rias/Diva/mem%C3%B3rias%20GREF.docx#_ftnref3" target="_blank" rel="noopener">[3]</a><span class="font-size-14 m-font-size-11"> Este termo à época não tinha adquirido um caráter pejorativo.</span></p>
<p><span class="">Caindo em todas as armadilhas comuns às dinâmicas grupais de grupos formados com pacientes por um tipo de diagnóstico principal, aprendemos na raça as regras envolvendo </span>do’s e dont’s<span class=""> quanto ao uso de drogas e sua relação com a sessão do grupo, necessárias para assegurar minimamente uma coerência terapêutica para o grupo de nossos pacientes dependentes de drogas.</span></p>
<p><span class="">Já tínhamos o entendimento desde este começo que nosso maior desafio na clínica da dependência seria diagnosticar com apuro as comorbidades que modificavam substancialmente a evolução e prognóstico de nossos pacientes. O diagnóstico per si da dependência a drogas, não informava suficientemente sobre quem eram nossos pacientes, nem sobre quais seriam e como evoluiriam as vicissitudes sintomatológicas da clínica de cada um deles. O que modificava e trazia desafios de porte distintos na evolução do tratamento de nossos pacientes vinha no bojo justamente, daquilo que identificávamos como sendo a comorbidade do caso. E as formas mais preocupantes advinham daquilo que à época chamávamos de transtorno de personalidade, diagnóstico de eixo II, do DSM-IV. Os mais preocupantes, </span>borderline<span class=""> e antissocial. A psicose, e o transtorno bipolar, diagnósticos eixo I, menos difíceis de serem feitos, eram mais facilmente detectáveis. O manejo clínico destes casos oferecia dificuldade variável, dependendo da gravidade do quadro de cada caso, e de outros aspectos da história de cada paciente; mas, mesmo assim, nos casos sem outras complicações tendiam a ter uma melhor evolução, visto que, via de regra, ofereciam uma resposta mais promissora ao repertório terapêutico medicamentoso de que dispúnhamos. Poder medicar e ver modificados ou minimizados sintomas preocupantes traz ao psiquiatra um certo alívio. E, naquele momento da história do desenvolvimento psicofarmacológico era possível obter respostas terapêuticas mais palpáveis para os sintomas das comorbidades como transtorno de humor ou outros quadros psicóticos não muito graves.</span></p>
<p>Já nos transtornos de personalidade geralmente o impacto positivo da medicação era, e continua sendo, de menor porte e a dimensão terapêutica dependia de acreditarmos na possibilidade de obter alguma mudança psíquica, importante o suficiente para eventualmente diminuir a manutenção da rigidez sintomática, que é o que acompanha este diagnóstico chamado de transtorno de personalidade. Nutrir uma esperança clínica deste tipo, significava de certa forma fazer uma aposta numa direção contrária daquela que o próprio diagnóstico apontava. Estudos de epidemiologia clínica que incluíam diagnósticos de eixo II apontavam para a não obtenção de mudanças significativas nos sintomas que constituíam estes diagnósticos! Lançar mão de outros saberes e práticas – como aqueles derivados da própria psicanálise &#8211; e tentar instituir as terapêuticas que melhor se adaptassem às limitações do trabalho institucional, visava aumentar em alguma medida a chance de sucesso terapêutico.</p>
</div>
<div id="1903295114" class="imageWidget align-center u_1903295114" data-element-type="image" data-widget-type="image"><img decoding="async" id="1608058361" class="" src="https://lirp.cdn-website.com/24f02e8e/dms3rep/multi/opt/Winnicott-1920w.jpg" alt="" data-dm-image-path="https://irp.cdn-website.com/24f02e8e/dms3rep/multi/Winnicott.jpg" /></div>
<div id="1262257632" class="dmNewParagraph" data-dmtmpl="true" data-element-type="paragraph" data-version="5">
<p>Fim da parte I.</p>
<p>Preview: na parte II traremos a chegada de Winnicott nos estudos do GREF</p>
</div>
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		<title>Memórias do Barato no divã</title>
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		<dc:creator><![CDATA[O Barato no Divã]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Oct 2021 12:00:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diva Reale]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Raízes francesas e trabalho de rua. Les Halles, Paris, Praça da Sé/Luz, São Paulo. Diva Reale Enquanto escrevia o trabalho para o 8º Congresso da ABRAMD, para nov/2021 fiz uma pesquisa rápida sobre a estação-forum Les Halles. Conheci em 1986 o trabalho de rua desenvolvido com usuários de drogas frequentadores deste local e suas imediações. [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div data-rss-type="text">
<h4>Raízes francesas e trabalho de rua.<br />
Les Halles, Paris, Praça da Sé/Luz, São Paulo.<br />
Diva Reale</h4>
<p><span style="font-size: 1rem; color: var(--ast-global-color-3);">Enquanto escrevia o trabalho para o 8º Congresso da ABRAMD, para nov/2021 fiz uma pesquisa rápida sobre a estação-forum Les Halles. Conheci em 1986 o trabalho de rua desenvolvido com usuários de drogas frequentadores deste local e suas imediações.</span></p>
</div>
<div data-rss-type="text">
<p>“Tive (&#8230;)a &nbsp;oportunidade de acompanhar um turno das atividades de uma equipe de educadores de rua da Association L’Abbaye em Paris. O impacto produzido por este contato &#8211; o primeiro contato com um serviço voltado para usuários de drogas que não seguia as restrições próprias aos serviços de tratamento da dependência &#8211; levou a visitante a se interessar por esta modalidade de atenção aos usuários, obtendo, junto aos responsáveis do serviço,cópias dos relatórios anuais de avaliação que cobriram o período de 1979 (ano que o serviço inaugurou) a 1986. Em 1990, ao retornar para um segundo estágio em Marmottan, a estagiária obteve a informação de que este programa havia sido extinto.” (Reale, 1997, p. 59). O trabalho de rua de Abbaye já fora abordado no mestrado, compondo uma parte da seção dedicada aos trabalhos de rua na França:</p>
<p>“A abordagem centrada na pessoa do usuário de droga: um caso francês” (Reale, 1997, p.119). &nbsp;“Na França, com o crescimento do consumo de drogas ilícitas ao longo das décadas de 70 e 80, progressivamente as equipes que desenvolviam trabalhos de rua com jovens marginalizados, foram se “especializando” em usuários de drogas (Girard, 1994). Em 1986, tivemos a oportunidade de ter contato em Paris com uma equipe de educadores de rua que desenvolvia um trabalho de rua, em locais centrais em Paris, de alta freqüência de usuários e dependentes de drogas (Bilan Annuel de L’Abbaye, 1979-1986). O trabalho era desenvolvido por uma instituição não governamental, sem fins lucrativos, cujo quadro funcional incluiu, ao longo de sua história, voluntários ex-toxicômanos ou não, técnicos (assistentes sociais e educadores) e estagiários. Nos seus primórdios, pós maio de 68, havia um espírito de experimentação, de aprendizagem de uma práxis “com a clientela” e não uma práxis “sobre a clientela”. O espírito que animava o trabalho de L ‘Abbaye era similar aquele que animava a “Free Clinic”, uma clínica aberta em São Francisco em 1967, onde o controle à saúde dos usuários seria exercido por seus pares, sobretudo através de atividades de animação de caráter “underground”, num “espaço estreito e colorido”, não “medicalizado” (Ephraïm, Isambart &amp; Werebe, 1980, p. 61-62). Se inicialmente o caráter do trabalho era de “animação”, de organização “recreativa” junto aos jovens, progressivamente com a evolução do programa, ocorre uma profissionalização do trabalho, no duplo sentido: tanto a equipe se torna “mais profissionalizada” (tanto na sua composição, quanto na estruturação do trabalho) quanto as ações socioeducativas voltadas para os usuários de drogas, passam a ter um caráter progressivamente de reinserção profissional (Ephraïm, Isambart &amp; Werebe, 1980). Esta trajetória de profissionalização do trabalho de rua da L’Abbaye coincide com o processo de profissionalização e institucionalização das estruturas que compõem o “sistème de soins français”, com a criação em 1980 da ANIT &#8211; Association Nacional Des Intervenants En Toxicomanies (Guégan, 1997, p. 9). O trabalho de rua da equipe da Abbaye se iniciou em Paris, em 1972, e acompanhou as alterações da clientela; acompanhou-a, literalmente, quando a seguiu em seus deslocamentos geográficos ao longo dos anos; também acompanhou a evolução do perfil de sua clientela ao adaptar-se às transformações nos padrões de usos e tipo de drogas consumidas, e às novas características socioeconômico e socioculturais da referida clientela; as adaptações implicavam em reajustes na oferta de serviços que passavam a ser requisitados pelos novos perfis da clientela (Bilan Annuel de L’Abbaye, 1979-1986). (&#8230;) A ação da equipe de rua e da equipe de retaguarda buscava promover a reinserção social dos jovens dependentes vinculados à equipe; esta reinserção era um processo lento em que se previa um percurso não linear, mas, ao contrário, sujeito a inúmeras “recaídas”, idas e vindas, aliás, percurso esse conhecido pelos serviços especializados no tratamento de dependentes de drogas. Este acompanhamento tinha um caráter individual&nbsp;e personalizado. Este programa foi desativado em 1990.” (Reale, 1997, p. 119-121)</p>
<p>A memória afetiva da leitura dos referidos relatórios do trabalho de rua da L’Abbaye inclui o registro de uma foto de um mapa feito à mão da estação subterrânea Les Halles onde eram indicados onde permaneciam os distintos grupos de usuários de drogas, separados conforme sua origem e pertencimento cultural distinto: arabs da Tunísia”, os africaines de Gana, Nigéria e assim por diante. O mapa desenhado indicando inclusive seus deslocamentos e forma de serem encontrados, impressionou a jovem médica pela primeira vez apresentada a abordagem que educadores de rua faziam no local quando tive a oportunidade de acompanhar os educadores em sua perambulação dirigida.</p>
<p>O ambiente com suas peculiaridades geográficas e arquitetônicas, traziam uma impressão de que guardava histórias que remontavam à magnitude parisiense de séculos. E muitas imagens de lá se inscreveram fortemente na memória, sempre acrescidos do encantamento pela cidade, pelo imaginário associado a Paris, que podia ser desvelado junto a história da vertente da tradição que acolhimento e se esforça por promover a inclusão. Esta matéria complementa numa aproximação rápida uma pequena parte da história deste local. Para conhecer as referências de onde retiramos as imagens sugiro uma visita aos links acrescidos aqui.</p>
<p><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Les_Halles_de_Paris" target="_blank" rel="noopener">Les Halles</a> histórico do quartier, desde século XII até o presente, torna-se por alguns séculos um mercado atacadista, até se tornar uma região fervilhante com a construção da maior estação de metrô articulada com sistema ferroviário RER, religando toda região metropolitana de Paris e seus arredores.</p>
</div>
<div>
<p><figure style="width: 353px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://irp.cdn-website.com/24f02e8e/dms3rep/multi/imagem1.jpg" alt="Por Truschet and Hoyau ; Mbzt - File:Plan de Paris vers 1550 color.jpg, CC BY-SA 4.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=34131466" width="353" height="300"><figcaption class="wp-caption-text">Por Truschet and Hoyau ; Mbzt &#8211; File:Plan de Paris vers 1550 color.jpg, CC BY-SA 4.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=34131466</figcaption></figure></p>
</div>
<div data-rss-type="text">
<p><figure style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" src="https://irp.cdn-website.com/24f02e8e/dms3rep/multi/imagem2.jpg" alt="" width="600" height="827"><figcaption class="wp-caption-text">Le marché des Halles de Paris avant son transfert vers Rungis, au début des années 70. On distingue à l&#8217;arrière plan l&#8217;église Saint Eustache. Photo d&#8217;André Gouteux. https://histoire-image.org/fr/etudes/halles-paris-travers-histoire?i=749</figcaption></figure></p>
</div>
<div data-rss-type="text">
<p>Uma outra memória eclodiu enquanto pesquisava um pouco sobre a história deste quartier. A experiência de percorrer o circuito nas imediações da estação Les Halles, em 1986 reuniu-se uma segunda experiência prenhe de afetos por ocasião da comemoração do XXº aniversário do Centre Médical Marmottan, em Paris, 1991. Convidada por Olevenstein para compor a comitiva brasileira para participar do Simpósio, Toxicomanie et Condition humaine, fui hospedada num apê cedido por uma residente de psiquiatria de Marmottan. Ficava localizado numa pequena rua nas imediações do Forum Les Halles. Foi o que mais me aproximou de uma experiência de ser moradora de Paris, pois das outras vezes em que estivera estagiando por lá, me hospedava num quarto para estagiários dentro do hospital.</p>
<p>Estar um pequeno studio acrescentou um novo colorido a esta estadia que já carregava afetos de intensidade considerável. Corroborando a presença de me imaginar fazendo parte do cotidiano como moradora da cidade encontrei alguma brecha que me permitiu o deleite de uma cinéfila: assistir a uma estreia, num cinema deste shopping Les Halles, do filme Jusq’au bout du monde, de Wim Wenders.</p>
<p><a href="https://www.adorocinema.com/filmes/filme-83536/trailer-19538202/" target="_blank" rel="noopener">https://www.adorocinema.com/filmes/filme-83536/trailer-19538202/</a></p>
<div class="ast-oembed-container " style="height: 100%;"><iframe title="Until The End Of The World Trailer (1991) - William Hurt Movie HD" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/zfFWBWKwQT8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe></div>
<h4><span style="font-size: 1rem; color: var(--ast-global-color-3);">Bibliografia</span></h4>
</div>
<div data-rss-type="text">
<p>BILAN ANNUEL DE L’ABBAYE: 8 relatórios de avaliação anual do programa de trabalho de rua (1979-1986)&nbsp;EPHRAIM, A.; ISAMBART, M.; WEREBE, S. L’Abbaye. Drogue et Société, n. 47-48, p. 61-63, Paris, 1980.&nbsp;GIRARD, V. ”Le travail de rue”, une approche particulière de la prévention.&nbsp;La Revue Agora, n. 31, p. 111-113, 1994.&nbsp;REALE, D. O caminho da redução de danos associados ao uso de drogas: do estigma à solidariedade. São Paulo, 216p. Dissertação (Mestrado em Medicina Preventiva), Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo, 1997.</p>
<p><a href="https://www.obaratonodiva.com.br/teses">https://www.obaratonodiva.com.br/teses</a></p>
</div>
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		<title>Pode aglomerar? Em tela, pode ser!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[O Barato no Divã]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Sep 2021 20:29:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diva Reale]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A curiosa disposição dos quadros na parede, chama a atenção da quase-confinada visitante da exposição Destaques do acervo, Territórios da arte, da Pinacoteca do Estado de são Paulo. Por que tenho a impressão de estar diante de uma disposição incomum de quadros? Num primeiro momento respondo a isso dizendo: porque todos estamos saudosos da lembrança de aglomerações ainda [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div id="1750185103" class="u_1750185103 imageWidget align-center hasFullWidth" data-element-type="image" data-widget-type="image" data-anim-desktop="zoomIn"><a href="https://lirp.cdn-website.com/24f02e8e/dms3rep/multi/opt/fffffffffffffffffff-1920w.png" target="_blank" rel="noopener"><img decoding="async" id="1129580552" class="alignright" src="https://lirp.cdn-website.com/24f02e8e/dms3rep/multi/opt/fffffffffffffffffff-1920w.png" alt="" width="500" height="307" data-dm-image-path="https://irp.cdn-website.com/24f02e8e/dms3rep/multi/fffffffffffffffffff.png" data-hover-effect="none" /></a></div>
<div id="1250789679" class="u_1250789679 dmNewParagraph" data-dmtmpl="true" data-element-type="paragraph" data-uialign="center" data-version="5">
<p class="text-align-justify"><span class="">A curiosa disposição dos quadros na parede, chama a atenção da quase-confinada visitante da exposição </span>Destaques do acervo, Territórios da arte<span class="">, da </span><a href="https://pinacoteca.org.br/" target="_blank" rel="noopener" type="url">Pinacoteca</a><span class=""> do Estado de são Paulo.</span></p>
<p class="text-align-justify"><span class="">Por que tenho a impressão de estar diante de uma disposição incomum de quadros? Num primeiro momento respondo a isso dizendo: porque todos estamos saudosos da lembrança de aglomerações ainda inconscientes de que viriam a ser chamadas assim, e podiam ser simplesmente encontros festivos e divertidos com alguns amigos, acontecidas num passado que cada vez parece estar mais distante. O ‘todos’ a que me refiro são aqueles que podem permanecer cautelosamente recolhidos, sopesando riscos cada vez que se permitem sair e fazer um programa, cuidadosamente programado e negociado internamente.</span></p>
<p class="text-align-justify">Só num segundo momento me lembro de uma exposição realizada pela Caixa Cultural, localizada no coração tão maltratado da cidade: a Praça da Sé! Havia uma parede muito alta lotada de imagens, cuja identidade já se apagou de minha memória. Talvez Fajardo? Não era; após uma ajudinha do meu google-privé de arte e artista descobri, era o Farnese! Era um artista que coletava, em suas andanças pelas imediações da natureza onde morava, objetos descartados, às vezes deteriorados ao longo do tempo. E depois fustigava ainda mais estes objetos, como pedaços de corpos de bonecas, perfurando-lhe um olho, derretendo e queimando outra parte, fundindo com algum outro.</p>
</div>
<div id="1948019009" class="u_1948019009 imageWidget align-center" data-element-type="image" data-widget-type="image"><a id="1550570953"></a></p>
<p><figure style="width: 376px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://lirp.cdn-website.com/24f02e8e/dms3rep/multi/opt/Farnese+de+Andrade_Angelus_1966-71-1920w.png" target="_blank" rel="noopener"><img loading="lazy" decoding="async" id="1921730309" class="" src="https://lirp.cdn-website.com/24f02e8e/dms3rep/multi/opt/Farnese+de+Andrade_Angelus_1966-71-1920w.png" alt="" width="376" height="474" data-dm-image-path="https://irp.cdn-website.com/24f02e8e/dms3rep/multi/Farnese+de+Andrade_Angelus_1966-71.png" /></a><figcaption class="wp-caption-text"></em> <em>(Farnese de Andrade, &#8220;Angelus&#8221; 1966-71)</em></figcaption></figure></p>
</div>
<div id="1720781047" class="dmNewParagraph" data-dmtmpl="true" data-element-type="paragraph" data-version="5" data-uialign="center">
<p class="text-align-justify"><span class="">Eram objetos-peças alusivos a potes de formol de algum museu de anatomia meio aterrador, como aquele que existe em minha saudosa FMUSP! Anatomia de uma psicopatologia a céu aberto, oferecendo aos olhos desatentos um retrato do que ninguém quer ver. Será que estamos vivendo já os efeitos do apagamento das memórias daquilo que se tornou uma indesejada anomalia que não queremos ver nem viver? Nomeio apenas aquelas que se oferecem aos olhos como reunião de muitas coisas em estado de aglomeração? Até as coisas precisam estar distanciadas? Bem em conformidade com o hit da decoração, o bom gosto continua a se espelhar em espaços amplos e </span>clean<span class="">. Será que a decoração ignora o quanto é raro dispor de espaços assim avantajados? Ou ela foi concebida exclusivamente para aqueles que de fato podem dispor destes espaços? Mas as associações com aglomerados expostos continuam: vem as salas das igrejas dedicadas a guardar os ex-votos. E museus laicos ou não, trataram de arranjar estes objetos prenhes de devoção em espaços de exposição onde eles podem nos contar em sua plasticidade de silêncio tagarela suas histórias de fé, medo e gratidão. O luto não elaborado de centenas de milhares de mortos, dentre os quais podemos ter alguns mais próximos ou muito próximos, exerce sua tremenda pressão silenciosa daquele ponto sem volta e sem continuidade.</span></p>
<p class="text-align-justify"><span class="">Mas voltemos ao prazer de observar rostos que se oferecem ao olhar, olhando distraidamente para algo em seu próprio mundo pictural, desconhecendo que estamos lá do outro lado, curiosos de suas razões, pensamentos e sentimentos que tornam suas expressões ainda mais interessantes a nossos olhos.</span></p>
<p><a href="https://lirp.cdn-website.com/24f02e8e/dms3rep/multi/opt/sssssssssssssssss-1920w.png" target="_blank" rel="noopener"><img loading="lazy" decoding="async" id="1019588958" class="alignright" src="https://lirp.cdn-website.com/24f02e8e/dms3rep/multi/opt/sssssssssssssssss-1920w.png" alt="" width="454" height="777" data-dm-image-path="https://irp.cdn-website.com/24f02e8e/dms3rep/multi/sssssssssssssssss.png" /></a></p>
<p class="text-align-justify">E encontramos também aqueles que também nos observam curiosos ou implacáveis, capturando nosso olhar, não importa que nos afastamos deles, para um lado ou para o outro, e que parecem nos seguir enquanto para eles estivermos olhando. E uma brincadeira com este olhar capturado pode se instalar, nos distraindo, por alguns minutos a mais, frente à tela. Para onde voltam seu olhar quando já nos distanciamos deles? Será que os fecham e pacientes, aguardam que novos visitantes se aproximem para que prontamente se tornem a abrir e reiniciem a brincadeira de capturar seu olhar mantendo-os presos a si, pelo maior tempo que conseguirem? Estarão eles jogando entre si, apostando em suas habilidades para reter seus visitantes-moscas colados em seu poder de aderir olhares curiosos? Como será que anda este escore do placar da captura?</p>
<p class="text-align-justify"><span class="">Recém-chegados de nossos lares-abrigos-cativeiro, olhamos para aqueles rostos humanos que nos olham ou se deixam ver, colocados numa distância entre si bem menor que os recomendados um metro e meio, e sentimos saudades, e, talvez, uma pitada de inveja, quando a esperança de um tempo no qual isso voltará a poder acontecer se transforma em niilismo do nunca mais.</span></p>
<p class="text-align-justify"><span class="">De volta ao lar, misto de aconchego e cativeiro, enquanto escrevo este pequeno texto, registrando as impressões desta rápida saída, descubro que estive frente a uma sala dedicada a retratos e autorretratos de artistas. Não eram pessoas comuns os retratados, eram os próprios artistas. E se apresentavam, como consta do apurado trabalho educativo no cartaz </span>Exercício de me ver, como “artistas homens (que) assumem posições diversas: intelectual, pensador, atormentado, boêmio, rebelde e até uma face diabólica&#8230; de Ismael Nery”. E o cartaz, completa sua missão de educar, ainda destacando as posições das representações das artistas mulheres e dos artistas negros. Tudo nos conformes das pautas que modelam nossas percepções, e direcionam um certo recorte de consciência que se quer crítica, incluindo-nos no que nosso tempo suporta recomendar.</p>
</div>
<div id="1426051891" class="dmNewParagraph" data-dmtmpl="true" data-element-type="paragraph" data-version="5" data-uialign="center">
<p class="text-align-justify"><span class="">E, finalizo com esta figura, em sua brancura plastificada, eternamente congelada, diante do espelho, no pé da parede, espaço que lhe coube? O que dizer desta autoidolatria solitária, que não por acaso, dá as costas a todos que o contemplam em sua posição quase desaforada, ou apenas deselegante e descuidada com o visitante recém-chegado? Talvez ele esteja de castigo por alguma desatenção imperdoável cometida com alguém que não merecia ter sido tratado por ela de forma descuidada; e por este motivo será condenado a ser representado privado do contato visual com o próximo, em posição-denúncia escancarada de seu autocentramento narcísico!</span></p>
</div>
<div id="1316184252" class="imageWidget align-center u_1316184252" data-element-type="image" data-widget-type="image"><a href="https://lirp.cdn-website.com/24f02e8e/dms3rep/multi/opt/hhhhhhhhhhhhhhhhh-1920w.png" target="_blank" rel="noopener"><img loading="lazy" decoding="async" id="1771479830" class="aligncenter" src="https://lirp.cdn-website.com/24f02e8e/dms3rep/multi/opt/hhhhhhhhhhhhhhhhh-1920w.png" alt="" width="502" height="481" data-dm-image-path="https://irp.cdn-website.com/24f02e8e/dms3rep/multi/hhhhhhhhhhhhhhhhh.png" /></a></div>
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			</item>
		<item>
		<title>Folhetim completo: Neco. Por onde você anda?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[O Barato no Divã]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Aug 2021 22:36:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diva Reale]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Cap. 1. Estar jurado  Há tempos Neco está desaparecido; só descobrimos depois que ele estava jurado.  Cap. 2. &#8220;Mais demorado que tatu na toca&#8221;  Um dia chegou um cartão postal, sem selo, de uma cidade de uma província chinesa desconhecida; atrás aparecia grafada uma frase misteriosa: &#8220;mais demorado que tatu na toca&#8221;.  Cap. 3. “Mais [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-style: italic; font-weight: bold; font-size: 1rem; color: var(--ast-global-color-3);">Cap. 1. Estar jurado </span></p>
<div id="1250789679" style="transition: none 0s ease 0s; display: block;" data-dmtmpl="true" data-element-type="paragraph" data-uialign="center" data-version="5">
<p class="text-align-justify"><span class="" style="display: initial;"><span style="display: initial;">Há tempos Neco está desaparecido; só descobrimos depois que ele</span><br />
</span><a style="display: initial; font-weight: normal;" href="https://www.obaratonodiva.com.br/palavradodia/estar-jurado" target="_blank" rel="noopener" type="url">estava jurado.</a><span style="display: initial;"> </span></p>
<p class="text-align-justify"><span style="display: initial; font-style: italic; font-weight: bold;">Cap. 2. &#8220;Mais demorado que tatu na toca&#8221; </span></p>
<p class="text-align-justify"><span class="" style="display: initial;"><span style="display: initial;">Um dia chegou um cartão postal, sem selo, de uma cidade de uma província chinesa desconhecida; atrás aparecia grafada uma frase misteriosa:</span><br />
</span><a style="display: initial;" href="https://www.obaratonodiva.com.br/palavradodia/mais-demorado-que-tatu-na-toca" target="_blank" rel="noopener" type="url">&#8220;mais demorado que tatu na toca&#8221;.</a><span style="display: initial;"> </span></p>
<p class="text-align-justify"><span class="" style="display: initial; font-style: italic; font-weight: bold;"><span style="display: initial; font-style: italic; font-weight: bold;">Cap. 3. “Mais vagaroso que carro de boi em repecho” </span><br />
</span></p>
<p class="text-align-justify"><span class="" style="display: initial;"><span style="display: initial;">Noutro dia, chegou outro cartão, que só podia ser do Neco, ainda desaparecido! Desta vez, de uma cidadela peruana; atrás outra frase estranha:</span><br />
</span><a style="display: initial;" href="https://www.obaratonodiva.com.br/palavradodia/mais-vagaroso-que-carro-de-boi-em-repecho" target="_blank" rel="noopener" type="url">&#8220;mais vagaroso que carro de boi em repecho&#8221;.</a><span class="" style="display: initial;"><span style="display: initial;"> </span><br />
</span></p>
<p class="text-align-justify"><span style="display: initial; text-decoration: none; font-weight: bold; font-style: italic;">Cap. 4. Pau de arara </span></p>
<p class="text-align-justify"><span class="" style="display: initial;"><span style="display: initial;">Um dia apareceu embaixo da porta da casa da mãe de Neco, um bilhetinho, cada vez mais misterioso: “Nossa cabrita, tão catita, tão bonita/ depois de tanta desdita havia feito uma opção/ se casaria com outra linda cabrita, Hah,/ que até bem pouco namorara o meu irmão,/</span><br />
</span><a style="display: initial;" href="https://www.obaratonodiva.com.br/palavradodia/pau-de-arara" target="_blank" rel="noopener" type="url">o pau de arara</a><span class="" style="display: initial;"> <span style="display: initial;">de meu pai o que diria disso,/ que ela me disse?” Despedida de solteira, Gilberto Gil. </span><br />
</span></p>
<p class="text-align-justify"><span style="display: initial; font-weight: bold; font-style: italic;">Cap.5. Encriptadas </span></p>
<p class="text-align-justify"><span class="" style="display: initial;"><span style="display: initial;">O que Neco queria dizer com aqueles cartões misteriosos? Quem conseguiria desvendar suas mensagens</span><br />
</span><a style="display: initial;" href="https://www.obaratonodiva.com.br/palavradodia/encriptadas" target="_blank" rel="noopener" type="url">encriptadas</a><span style="display: initial;">? </span></p>
<p class="text-align-justify"><span style="display: initial; font-weight: bold; font-style: italic;">Cap. 6. Idiomáticas </span></p>
<p class="text-align-justify"><span class="" style="display: initial;"><span style="display: initial;">Não houve jeito, foi preciso recorrer ao Professor, que deu à família de Neco uma primeira pista: ele está usando expressões</span><br />
</span><a style="display: initial;" href="https://www.obaratonodiva.com.br/palavradodia/idiomaticas" target="_blank" rel="noopener" type="url">idiomáticas</a><span class="" style="display: initial;"> <span style="display: initial;">regionais! </span></span></p>
<p class="text-align-justify"><span style="display: initial; font-weight: bold; font-style: italic;">Cap. 7. Desmentidura </span></p>
<p class="text-align-justify"><span class="" style="display: initial;"><span style="display: initial;">Logo que sua fuga teve início Neco conheceu na maca ao lado um escrevinhador de cartas sob demanda. Neco precisou passar algumas horas no hospital, depois de uma</span><br />
</span><a style="display: initial;" href="https://www.obaratonodiva.com.br/palavradodia/desmentidura" target="_blank" rel="noopener" type="url">desmentidura</a><span style="display: initial;">. Uma amizade se iniciou ali, fruto de uma mútua e profunda simpatia. </span></p>
<p class="text-align-justify"><span style="display: initial; font-weight: bold; text-decoration: none; font-style: italic;">Cap. 8. Patrão </span></p>
<p class="text-align-justify"><span class="" style="display: initial;"><span style="display: initial;">Quem será Neco? Um UD que não conseguiu pagar uma dívida com o tráfico? Um adolescente de periferia que pisou na bola com o</span><br />
</span><a style="display: initial;" href="https://www.obaratonodiva.com.br/palavradodia/patrao" target="_blank" rel="noopener" type="url">patrão</a><span class="" style="display: initial;"> <span style="display: initial;">local? Um membro de uma equipe de RD que teve uma altercação com quem não devia ter se metido? Ou ainda, um militante de movimento social de direitos humanos? </span><br />
</span></p>
<p class="text-align-justify"><span class="" style="display: initial; font-style: italic; font-weight: bold;"><span style="display: initial; font-style: italic; font-weight: bold;">Cap. 9. Despinguelado </span><br />
</span></p>
<p class="text-align-justify"><span class="" style="display: initial;"><span style="display: initial;">O tempo foi passando e preocupação de D. Adélia, mãe de Neco, crescendo. Os boatos proliferavam; uns acreditavam tê-lo visto atravessando uma avenida, todo</span><br />
</span><a style="display: initial;" href="https://www.obaratonodiva.com.br/palavradodia/despinguelado" target="_blank" rel="noopener" type="url">despinguelado</a><span style="display: initial;">; outros se preparavam para a encomenda da missa, temerosos do pior desfecho. </span></p>
<p class="text-align-justify"><span style="display: initial; font-weight: bold; font-style: italic;">Cap. 10. Caboclinho </span></p>
<p class="text-align-justify"><span class="" style="display: initial;"><span style="display: initial;">Noutro dia, chegou um molecote esbaforido para lhe trazer a notícia -infelizmente não confirmada depois- de que a madrinha do Neco tinha visto um rapaz ensaiando o</span><br />
</span><a style="display: initial;" href="https://www.obaratonodiva.com.br/palavradodia/caboclinho" target="_blank" rel="noopener" type="url">Caboclinho</a><span class="" style="display: initial;"><span style="display: initial;">, que era a cara dele! </span><br />
</span></p>
<p class="text-align-justify"><span style="display: initial; font-weight: bold; font-style: italic;">Cap. 11. Cera de santíssimo </span></p>
<p class="text-align-justify"><span class="" style="display: initial;"><span style="display: initial;">D. Adélia, dia sim dia não, foi adquirindo aquele aspecto de</span><br />
</span><a style="display: initial;" href="https://www.obaratonodiva.com.br/palavradodia/cera-de-santissimo" target="_blank" rel="noopener" type="url">cera de santíssimo</a><span class="" style="display: initial;"><span style="display: initial;">, pois quase não saia de casa, perdendo sua alegria natural. </span><br />
</span></p>
<p class="text-align-justify"><span style="display: initial; font-weight: bold; font-style: italic;">Cap. 12. Bolodório </span></p>
<p class="text-align-justify"><span class="" style="display: initial;"><span style="display: initial;">Adélia sabia que sua vida tinha se transformado novamente, afinal por muito tempo desde que saíra de sua terra levara uma vida modesta e discreta; agora via-se envolvida num</span><br />
</span><a style="display: initial;" href="https://www.obaratonodiva.com.br/palavradodia/bolodorio" target="_blank" rel="noopener" type="url">bolodório</a><span class="" style="display: initial;"> <span style="display: initial;">em torno do paradeiro de seu filho. </span><br />
</span></p>
<p class="text-align-justify"><span style="display: initial; font-weight: bold; font-style: italic;">Cap. 13. Boiota </span></p>
<p class="text-align-justify"><span class="" style="display: initial;"><span style="display: initial;">Seu filho teria de fato se envolvido em algo ilegal? Ou fora vítima de alguma retaliação dos inimigos de seu pai? Seu desaparecimento continuava sendo um mistério; mas mantinha a esperança de que ele estaria bem onde quer que estivesse, afinal ele podia ser muitas coisas, mas</span><br />
</span><a style="display: initial;" href="https://www.obaratonodiva.com.br/palavradodia/boiota" target="_blank" rel="noopener" type="url">boiota</a><span class="" style="display: initial;"><span style="display: initial;">, certamente não. </span><br />
</span></p>
<p class="text-align-justify"><span style="display: initial; font-weight: bold; font-style: italic;">Cap. 14. Bolódromo </span></p>
<p class="text-align-justify"><span class="" style="display: initial;"><span style="display: initial;">Neco estava preparado para prestar o vestibular. Ela fizera tudo para que ele pudesse estudar nas melhores escolas a seu alcance. Mesmo que já o tenha encontrado num</span><br />
</span><a style="display: initial;" href="https://www.obaratonodiva.com.br/palavradodia/bolodromo" target="_blank" rel="noopener" type="url">bolódromo</a><span class="" style="display: initial;"> <span style="display: initial;">improvisado, dando um pega, não havia qualquer indício de que ele se envolvera em maiores encrencas, exceto pelo seu desaparecimento. </span></span></p>
<p class="text-align-justify"><span style="display: initial; font-weight: bold; text-decoration: none; font-style: italic;">Cap. 15. Boleiro </span></p>
<p class="text-align-justify"><span class="" style="display: initial;"><span style="display: initial;">Aos poucos algo foi se formando em sua mente&#8230;. uma correlação entre seu passado silenciado e o silêncio do paradeiro de Neco. Será que ele lembrava daquela viagem onde foram</span><br />
</span><a style="display: initial;" href="https://www.obaratonodiva.com.br/palavradodia/boleiro" target="_blank" rel="noopener" type="url">boleiros</a><span class="" style="display: initial;"> <span style="display: initial;">por dois dias? Mas ele era tão pequenino, nem completara dois anos de vida!! </span></span></p>
<p class="text-align-justify"><span class="" style="display: initial; font-style: italic; font-weight: bold;"><span style="display: initial; font-style: italic; font-weight: bold;">Cap. 16. Bater de testa </span><br />
</span></p>
<p class="text-align-justify"><span class="" style="display: initial;"><span style="display: initial;">Estaria ele encenando aquele período misterioso de sua vida? Como ele poderia saber de algo que ele não viveu diretamente? Não se passara tempo suficiente desde seu desaparecimento? Teria sido tão mais fácil se ele tivesse</span><br />
</span><a style="display: initial;" href="https://www.obaratonodiva.com.br/palavradodia/bater-de-testa" target="_blank" rel="noopener" type="url">batido de testa</a><span class="" style="display: initial;"> <span style="display: initial;">com Adélia. Sumir deste jeito!! </span></span></p>
<p class="text-align-justify"><span class="" style="display: initial; font-weight: bold; font-style: italic;"><span style="display: initial; font-weight: bold; font-style: italic;">Cap. 17. Catimbó </span><br />
</span></p>
<p class="text-align-justify"><span class="" style="display: initial;"><span style="display: initial;">Neco mal sabia o que o levara a partir tão repentinamente. Uma noite teve um sonho confuso, onde imagens escuras surgiram, acompanhadas por ruídos de gritos e banhados por um cheiro ferroso que apesar de não ser capaz de reconhecer sua origem, muito o inquietou. Não seria capaz de reproduzir qualquer relato que reunisse estes fragmentos em uma história. No entanto uma palavra pairava no ar, piscava como que iluminada em neon:</span><br />
</span><a style="display: initial;" href="https://www.obaratonodiva.com.br/palavradodia/catimbo" target="_blank" rel="noopener" type="url">catimbó</a><span class="" style="display: initial;"><span style="display: initial;">! </span><br />
</span></p>
<p class="text-align-justify"><span style="display: initial; font-weight: bold; font-style: italic;">Cap. 18. Estar jurado II </span></p>
<p class="text-align-justify"><span class="" style="display: initial;"><span style="display: initial;">Depois deste sonho algo se acendeu dentro de Neco. Era preciso que ele partisse, imediatamente! Para onde? Ele não tinha certeza, mas era preciso voltar para algum lugar de onde ele, aparentemente partira! Mas como fazer isso, sem despertar suspeitas? Era preciso que seu retorno ocorresse de maneira completamente anônima. Espalhar o boato de</span><br />
</span><a style="display: initial;" href="https://www.obaratonodiva.com.br/palavradodia/estar-jurado-ii" target="_blank" rel="noopener" type="url">‘estar jurado’</a><span class="" style="display: initial;"> <span style="display: initial;">ofereceria o motivo para seu justificado desaparecimento. </span><br />
</span></p>
<p class="text-align-justify"><span style="display: initial; font-weight: bold; font-style: italic;">Cap. 19. E tchau e bença </span></p>
<p class="text-align-justify"><span class="" style="display: initial;"><span style="display: initial;">Começar de novo, sem passado, exceto o nome de batismo. Neco, ninguém conhecia por lá. Calouro de uma faculdade pela qual sonhara desde sempre: arqueologia. De onde tirara isso, nunca soube; mas sempre fora fascinado pela figura do pesquisador de campo que remexe até achar as ruínas, reúne seus caquinhos e reconstrói uma civilização inteira! Depois disso,</span><br />
</span><a style="display: initial;" href="https://www.obaratonodiva.com.br/e-tchau-e-benca" target="_blank" rel="noopener" type="url">e tchau e bença!</a><span style="display: initial;"> </span></p>
<p class="text-align-justify"><span style="display: initial; font-weight: bold; font-style: italic;">Cap. 20. Sincronicidade </span></p>
<p class="text-align-justify"><span class="" style="display: initial;"><span style="display: initial;">Enquanto deliciava-se com as aulas pela manhã, as noites se tornavam cada vez mais tumultuadas. As imagens, o cheiro estranho, e os ruídos angustiantes se repetiam noite após noite. Aconselhado pelo serviço de atenção ao aluno, procurou um psicanalista. Como sempre as leituras sempre acompanhavam suas explorações, descobriu que Freud também usara da metáfora da investigação arqueológica para desvendar o inconsciente! Seria uma</span><br />
</span><a style="display: initial;" href="https://www.obaratonodiva.com.br/palavradodia/sincronicidade" target="_blank" rel="noopener" type="url">sincronicidade</a><span class="" style="display: initial;"><span style="display: initial;">? As duas coisas ocorrendo no mesmo ano? </span><br />
</span></p>
<p class="text-align-justify"><span style="display: initial; font-style: italic; font-weight: bold;">Cap. 21. Afã </span></p>
<p class="text-align-justify"><span class="" style="display: initial;"><span style="display: initial;">Ao cabo de alguns meses, alguma coisa se passou com Neco! Os sonhos foram cedendo e no lugar deles um</span><br />
</span><a style="display: initial;" href="https://www.obaratonodiva.com.br/palavradodia/afa" target="_blank" rel="noopener" type="url">afã</a><span class="" style="display: initial;"> <span style="display: initial;">pela escrita surgiu. Isso lhe era completamente novo: uma febre de criar uma história que parecia dialogar com as matérias que faziam de suas manhãs um deleite, por ter encontrado algo desde sempre desejado: um conhecido não pensado. </span><br />
</span></p>
<p class="text-align-justify"><span style="display: initial; font-weight: bold; font-style: italic;">Cap. 22. Sequioso </span></p>
<p class="text-align-justify"><span class="" style="display: initial;"><span style="display: initial;">Sem que soubesse o porquê, Neco começou a sonhar repetidamente com sua mãe. Com a presença dela no sonho as imagens, sons e cheiros começaram a ganhar formas identificáveis. Foi quando descobriu a história reconstruída de um faraó que apesar de todo seu poder foi brutalmente assassinado por inimigos de sua dinastia.</span><br />
</span><a style="display: initial;" href="https://www.obaratonodiva.com.br/palavradodia/sequioso" target="_blank" rel="noopener" type="url">Sequiosos</a><span class="" style="display: initial;"> <span style="display: initial;">por suas terras, não hesitaram em executá-lo diante dos olhos de seu único filho.   </span></span></p>
<p class="text-align-justify"><span class="" style="display: initial; font-weight: bold; font-style: italic;"><span style="display: initial; font-weight: bold; font-style: italic;">Cap. 23. Estudação </span><br />
</span></p>
<p class="text-align-justify"><span class="" style="display: initial;"><span style="display: initial;">Adélia acordou aquela manhã e encontrou uma mensagem de seu filho. Ainda trêmula, liga para o número que ele deixou. E, surpresa, descobriu que ele estava na cidade onde haviam permanecido por algumas semanas antes de chegarem a seu destino final: onde Adélia ainda vive e Neco foi criado. Desta primeira conversa, regada a uma forte emoção a única lembrança que permaneceu foi a presença da</span><br />
</span><a style="display: initial;" href="https://www.obaratonodiva.com.br/palavradodia/estudacao" target="_blank" rel="noopener" type="url">estudação</a><span class="" style="display: initial;"> <span style="display: initial;">tão seriamente abraçada por seu filho. </span><br />
</span></p>
<p class="text-align-justify"><span style="display: initial; font-weight: bold; font-style: italic;">Cap. 24. Conhecido não pensado </span></p>
<p class="text-align-justify"><span class="" style="display: initial;"><span style="display: initial;">Após várias cartas e telefonemas trocados, Neco foi capaz de integrar e validar aspectos da história criada nos meses que antecederam o momento de reencontrar sua mãe, Adélia. A história trágica que antecedeu a viagem rumo a uma vida mais segura, pode finalmente tornar-se conhecida. Adélia encontrou a forma de ajudar Neco a apropriar-se desta história. O trabalho propiciado pelo encontro da psicanálise e da arqueologia rendeu uma vocação, o reconhecimento de sua capacidade de sonhar e o florescimento da força para ir atrás de seus sonhos.</span><br />
</span><a style="display: initial;" href="https://www.obaratonodiva.com.br/palavradodia/conhecido-nao-pensado" target="_blank" rel="noopener" type="url">O conhecido não pensado</a><span class="" style="display: initial;"> <span style="display: initial;">serviu de guia para este desenvolvimento.</span></span></p>
</div>
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		<title>Diário de classe III: A clínica AD na linha: dos usos de SPA e seus enfrentamentos durante a pandemia</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Jul 2021 20:14:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Neste sábado 19 de junho de 2021, tivemos uma aula do Barato no Divã: a clínica em contexto. Não poderia haver nada mais ilustrativo do que a pandemia para tornar viva a ideia contida no tripé olievensteiniano: O que se quer ressaltar em resumo, neste esquema, é que a organização do raciocínio e proposta clínicos [&#8230;]</p>
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<p>Neste sábado 19 de junho de 2021, tivemos uma aula do Barato no Divã: a clínica em contexto. Não poderia haver nada mais ilustrativo do que a pandemia para tornar viva a ideia contida no tripé olievensteiniano:</p>
</div>
<div id="1948019009" class="u_1948019009 imageWidget align-center hasFullWidth" data-element-type="image" data-widget-type="image"><a id="1550570953"></a><img decoding="async" id="1921730309" class="" src="https://lirp.cdn-website.com/24f02e8e/dms3rep/multi/opt/Sem+t%C3%ADtulo+2-433e8630-1920w.png" alt="" data-dm-image-path="https://irp.cdn-website.com/24f02e8e/dms3rep/multi/Sem+t%C3%ADtulo+2-433e8630.png" /></div>
<div id="1720781047" class="dmNewParagraph" data-dmtmpl="true" data-element-type="paragraph" data-version="5" data-uialign="center">
<p class="text-align-justify">O que se quer ressaltar em resumo, neste esquema, é que a organização do raciocínio e proposta clínicos para os pacientes são mais bem compreendidos e elaborados se levarmos em consideração, além da relação [paciente- uso da substância, e paciente- terapeuta], a situação. A situação que modela e modula não apenas a relação terapêutica, quanto as implicações sobre o estatuto da droga e de seu uso.</p>
<p class="text-align-justify"><span class="">Para poder </span><span class="">situar </span><span class="">como o contexto macrossocial pode estar condicionando alguns aspectos da clinica em andamento desde 2020 até o momento foram trazidos alguns aspectos pontuais que nos remetam a experiências coletivas que nos afetaram profundamente enquanto cidadãos brasileiros, sejamos profissionais de saúde mental, psiquiatrias, psicoterapeutas ou psicanalistas. Pinçamos da história, o testemunho eternizado de uma das epidemias pelas quais a humanidade já passou, na obra literária um dos fundamentos da língua italiana registrada em prosa por Boccaccio na obra prima Decameron. Para relembrar um momento muito expressivo da posição nociva frente a pandemia adotada pelo planalto, trouxemos a situação registrada por meio de um sketch humorístico do canal </span>Porta dos Fundos, com o título Ministro da Saúde, de maio/2020.</p>
<p class="text-align-justify">Fizemos um rápido passeio por alguns aspectos das relações que se dão no âmbito do microssocial. Pinçamos este post para ilustrar de forma bem humorada e discutir alguns aspectos do imaginário instituinte no qual estivemos e continuamos a estar imersos.</p>
</div>
<div id="1109012547" class="u_1109012547 imageWidget align-center" data-element-type="image" data-widget-type="image"><img decoding="async" id="1019588958" class="alignleft" src="https://lirp.cdn-website.com/24f02e8e/dms3rep/multi/opt/Sem+t%C3%ADtulo+3-1920w.png" alt="" data-dm-image-path="https://irp.cdn-website.com/24f02e8e/dms3rep/multi/Sem+t%C3%ADtulo+3.png" /></div>
<div id="1426051891" class="dmNewParagraph" data-dmtmpl="true" data-element-type="paragraph" data-version="5" data-uialign="center">
<p class="text-align-justify">As discussões sobre as implicações das profundas e perturbadoras alterações de nossa vida cotidiana, invadindo o uso e segurança de nossos corpos, são extensas e multidisciplinares. Ninguém discorda o quanto a obediência das recomendações de “ficar em casa”, e praticar o “distanciamento social” criou uma experiência frente à vida anterior,vivida hoje com uma memória de liberdade, transformando o que antes nada mais era do que o comum ou normal de nossas vidas.Tal mudança tem profundas consequências cuja melhor apreciação será alcançada quando conseguirmos guardar uma maior distância crítica para poder refletir sobre.</p>
<p class="text-align-justify">Várias publicações têm saído, sobretudo neste começo de ano (Vainer et al, 2021; Birman, 2020); Dunker, Perrone, Iannini, Rosa, Gurski, 2021) oferecendo reflexões no calor dos tempos da pandemia em andamento.</p>
<p class="text-align-justify"><span class="">Estas publicações mencionadas oferecem abordagens psicanalíticas que vão desde a forma ensaio, até a apresentação de uma pesquisa realizadas em vários centros universitários brasileiros que se dedicou a mapear os sonhos produzidos nestes primeiros meses de quarentena.</span></p>
<p class="text-align-justify"><span class="">Um tema que tem despertado grande interesse é aquele que se debruça sobre as múltiplas implicações do atendimento não presencial, que é chamado comumente de online, em tela, em linha ou na linha. As implicações desta drástica mudança do </span><span class="">setting </span>têm exigido trabalho de elaboração para que possamos entender, apurar, reinventar e ajustar as implicações que a ausência da presença direta dos corpos produz em nossa experiência na sessão à distância.</p>
<p class="text-align-justify">Para cumprir com a finalidade de subsidiar a discussão sobre o impacto da mudança do contexto pandêmico na prática clínica de AD, finalizamos esta aula trazendo a evolução de três casos clínicos que permitiram ilustrar a diversidade de respostas dentro de um mesmo enquadre na linha. Os antecedentes do que se conseguira conquistar e desenvolver em cada caso antes da pandemia chegar contribuiu para a melhor ou mais difícil evolução durante este período.</p>
<p class="text-align-justify">Um último aspecto pode ser mencionado, levando em conta o trecho abaixo citado:</p>
<p class="text-align-justify"><span class="">Una vez instalado intensamente en la práctica del análisis telefónico consideré necesario redefinir el concepto presencia al que denominé presencia comunicacional, (Carlino, R. 2010; 2011) en que ambos de la dupla, cuando se comunican, sienten que están allí presentes. No se trata de un lugar físico, sino de un punto de confluencia comunicativa entre dos personas físicamente distantes pero no ausentes. Aporta a ello una efectiva sensación de contacto y de encuentro comunicacional, en un espacio que en otro artículo fuera denominado “espacio inter del diálogo” (Cantis Carlino, D.; Carlino, R., 1987). (Carlino, 2021, p. 16-17).</span></p>
<p class="text-align-justify">Os pacientes que melhor puderam aproveitar o trabalho durante este período foram aqueles com quem foi possível estabelecer esta efetiva sensação de contato, algo alcançado quando se conquista um encontro comunicacional. Quando foi possível sustentar na maior parte das sessões esta experiência de confluência comunicativa pude observar um aproveitamento muito singular das sessões.</p>
<p class="text-align-justify"><span class="">Quando nos sentimos e conseguimos estabelecer uma proximidade com os pacientes, incluindo em nossas conversas menção às variações dos </span>settings, incorporando-os como um aspecto da sessão, as coisas parecem carregar novos elementos para dentro da experiência compartilhada.</p>
<p class="text-align-justify">Por isso, encerramos este artigo trazendo esta outra citação do mesmo autor que parece carregar uma abertura cuja potência pude experimentar em minha clínica nos casos cuja análise parece ter alcançado uma inflexão por novas paisagens psíquicas com resultados que sugerem estar acontecendo uma frutificação.</p>
<p class="text-align-justify"><span class="">Estos </span><span class="">settings </span><span class="">analíticos ocasionales, en lugar de entorpecer, pueden desestabilizar el piso de las resistencias surgiendo así una mayor espontaneidad y trasparencia. Desde diferentes “salsas” pueden surgir diferentes facetas. </span>(Carlino, 2021, p. 18).</p>
<p class="text-align-justify"> _____________________________</p>
<p class="size-16 m-size-13"><span class="font-size-16 m-font-size-13">Bibliografia</span></p>
<p class="size-16 m-size-13"><span class="font-size-16 m-font-size-13">Birman, J. </span><span class="font-size-16 m-font-size-13">O trauma na pandemia do coronavírus</span><span class="font-size-16 m-font-size-13">. Suas dimensões políticas, sociais, econômicas, ecológicas, culturais, éticas e científicas. Rio de Janeiro, José Olímpio, 2020.</span></p>
<p class="size-16 m-size-13"><span class="font-size-16 m-font-size-13">Carlino, Ricardo. Cyberanálisis.In: Vainer, Alejandro et al.]. </span><span class="font-size-16 m-font-size-13">Contigo a la distancia</span><span class="font-size-16 m-font-size-13">: la clínica psientiempos de pandemia.Buenos Aires: Topía Editorial, 2021. Libro digital, EPUB.</span></p>
<p class="size-16 m-size-13"><span class="font-size-16 m-font-size-13">Dunker, C.; Perrone, C.; Iannini, G.; Rosa, M.D.; Gurski, R.(orgs). </span><span class="font-size-16 m-font-size-13">Sonhos confinados</span><span class="font-size-16 m-font-size-13">. O que sonham os brasileiros em tempos de pandemia. Belo Horizonte, Autêntica, 2021.</span></p>
<p class="size-16 m-size-13"><span class="font-size-16 m-font-size-13">Vainer, Alejandro et al. </span><span class="font-size-16 m-font-size-13">Contigo a la distancia</span><span class="font-size-16 m-font-size-13">: la clínica psientiempos de pandemia. Buenos Aires: Topía Editorial, 2021. Libro digital, EPUB</span></p>
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		<title>José e o ônibus prateado: memórias de viagem II</title>
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		<dc:creator><![CDATA[O Barato no Divã]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Jun 2021 22:47:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diva Reale]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Chicago, julho de 1994 Nota: de quantas autoridades precisamos para fazer um acordo José respondendo a algumas de nossas perguntas revelou-nos uma passagem curiosa. Antes de poder colocar o ônibus na rua, duas negociações precisaram ser feitas. Primeiro, obteve-se uma autorização junto às autoridades judiciais que oficializava a permissão para o projeto de ORWs que [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="text-align-right" style="text-align: right;"><strong><span class="">Chicago, julho de 1994</span></strong></p>
<p class="text-align-justify">Nota: de quantas autoridades precisamos para fazer um acordo</p>
<p class="text-align-justify">José respondendo a algumas de nossas perguntas revelou-nos uma passagem curiosa. Antes de poder colocar o ônibus na rua, duas negociações precisaram ser feitas. Primeiro, obteve-se uma autorização junto às autoridades judiciais que oficializava a permissão para o projeto de ORWs que incluía como uma das estratégias a criação do ônibus de troca de seringa.</p>
<p class="text-align-justify">A primeira negociação ocorreu entre as autoridades de saúde e de segurança locais. Ao final da negociação, obteve-se o apoio das autoridades policiais ao projeto assegurando cumprimento pela ronda policial de uma escala de ausência programada. Isto é, os dias, horários e locais onde o ônibus estivesse estacionado seriam conhecidos pela polícia para garantir que seus policiais não passassem por lá. Tal informação era informalmente repassada pelos ORWs aos membros da rede de UDIs por eles contatados, assegurando-lhes o reconhecimento e apoio a esta iniciativa de saúde.</p>
<p class="text-align-justify">A segunda negociação pode soar ainda mais inédita, pois ocorreu entre os representantes do projeto e o responsável pelo tráfico local. Chegaram a um acordo acerca de locais onde a presença do ônibus poderia ser aceita porque não representaria nem perigo nem prejuízo aos negócios lá exercidos. A escolha inicial de qual ruela foi mudada a pedido do traficante para que não atrapalhasse seu “ponto” de venda, tal acordo garantiu a não interferência nos “negócios da saúde” por parte do traficante e sua rede. A decisão acerca de quem seriam os profissionais a participar da negociação, respectivamente com a polícia e com a rede de tráfico, foi estrategicamente tomada a partir do reconhecimento da existência de diferentes instâncias de poder legal e local, do reconhecimento das características de suas respectivas organizações e mecanismos de realização de negociação. O objetivo comum foi reconhecer e aceitar a necessidade de estabelecer limites de atuação possíveis para cada “equipe” envolvida em suas atividades num mesmo espaço urbano. Assim já há algum tempo vinham convivendo pacificamente as “equipes” de saúde, de polícia e do tráfico local, relacionando-se com os UDIs segundo suas especificidades. Este me parece um exemplo paradigmático de uma forma de enfrentamento pragmática para encontrar uma solução na prática para um problema de saúde que envolvia questões legais, exigindo uma discussão e um enfrentamento ético para instituir uma solução ao problema da transmissão do HIV/AIDS envolvendo os UDIs e sua rede de relações sociais. Um acerto entre os diferentes atores sociais visando um bem maior – a preservação da saúde coletiva de UDIs e da população em geral &#8211; viabilizou a solução na prática.</p>
<p class="text-align-justify"><span class="">Nota: Quão irresponsáveis, quão capazes são de fato os UD/UDIs!</span></p>
<p class="text-align-justify">A impressão deixada por esta visita foi profunda, levando a indagações e revisões de velhos preconceitos, por exemplo, acerca da irresponsabilidade atribuída aos UDIs de como eles seriam incapazes de assumir cuidados envolvendo suas vidas e de seus pares. Levou-nos a refletir acerca da visão demonizada do traficante que também participou do acerto de não atrapalhar, e da polícia que também deu uma cobertura às avessas à iniciativa.</p>
<p class="text-align-justify"><span class="">Este programa constitui um exemplo de uma ação de saúde dentro da perspectiva de redução de danos.  José contava com grande satisfação a história do ônibus prateado. Sabíamos genericamente que ele, José, era um membro da rede de relações sociais de usuários de drogas, pois era esse o critério para contratar alguém na função de ORW – </span>outreachworker<span class="">, &#8220;um trabalhador de longo alcance&#8221;. Era possível imaginar que junto ao seu indisfarçável orgulho havia a provável mudança de estatuto social negativo para um positivo. O usuário de droga injetável carrega socialmente uma condição estigmatizada, mesmo entre os usuários de drogas ilícitas que os consideram “fim de linha”. Um trabalhador, agente de saúde, participando de um projeto de intervenção e pesquisa universitária, hostess de visitantes estrangeiros com certeza vivia uma oportunidade que não existia na sua condição anterior. A satisfação com que ele nos entregou seu cartão profissional, onde se lia o nome da instituição seu nome e sua função de </span>outreachworker-ORW, era desveladora desta sua provável mudança de status. Minha fantasia reconstruía o que poderia ter sido a trajetória de nosso embaixador, cuja história pessoal talvez fosse o testemunho vivo da transição de uma mudança paradigmática na forma de ver e tratar socialmente os UDs. Esta nova perspectiva recém iniciada certamente faria parte da história do desenvolvimento da forma pela qual a sociedade encara o problema das drogas.</p>
<p class="text-align-justify"><span class="">Nota: despedidas, nos últimos momentos intensificação da intimidade </span></p>
<p class="text-align-justify">Enquanto pensava que ele talvez ainda vivesse percorrendo o fio da navalha, só que agora não como um UDI (ou UD), mas como ORW, o cair da tarde anunciava o final da visita e os preparativos para as despedidas que se vizinhavam. A conversa foi-se tornando mais informal, algumas perguntas sobre nós foram feitas por José e ele parece ter se apercebido do caráter evanescente da presença de uma psiquiatra (psicanalista não confessa naquele momento). José um pouco afastado do grupo, inicia um relato um tanto atropelado pelo avizinhar-se do adeus, desvelando uma história onde fraturas existenciais se evidenciam pelas inúmeras recaídas no uso de droga injetável, pelas formas ilícitas de obtenção dos recursos para financiar o uso da droga, suas passagens pela prisão e finalmente sua condição de portador do HIV. José me deixou entrever quão recente é sua (re)inserção social produtiva e valorizada, e quanto esta inserção é ainda muito frágil, pois a as marcas identitárias que o acompanharam em sua história pregressa não são apagáveis de fora para dentro. O percurso de volta havia sido iniciado, mas era ainda preciso reconhecer a existência de suas fraturas internas, cuja cura já começara pela reversão parcial de sua exclusão social, mas exigia um partilhar urgente de sua face privada profundamente ferida, carregando simultaneamente a pecha e os fatos que fizeram dele não apenas um doente, mas um ‘doente-criminoso’.</p>
<p class="text-align-justify">O que dizer naqueles instantes derradeiros, quando fui abruptamente deslocada do lugar de psiquiatra visitante estrangeira para o de confidente/analista?</p>
<p class="text-align-justify">Tomada de assalto pela vergonha quanto ao passado, pela precariedade quanto à continuidade do presente, desembocando numa insegurança quanto ao futuro, não me lembro muito bem do que lhe disse. José me captura na sua insustentável condição, posta em evidência pela situação de transição e perda: o momento da despedida. Lembro-me vagamente de dizer-lhe palavras de reasseguramento, de esperança e que soam aos meus ouvidos agora, e provavelmente lá também, como obviamente insuficientes, quase uma resposta social chavão.</p>
<p class="text-align-justify">O que experimentei naquele momento foi um vivo e pungente testemunho do desamparo de José que a situação de despedida permitia entrever. É possível que a necessidade de ser e sentir-se cuidado tivesse se manifestado pela aproximação da perda do contato profissionalmente caloroso que mantivéramos durante dois dias inteiros.</p>
<p class="text-align-justify">O que se passou entre nós talvez seja um vislumbre daquilo que estejamos reproduzindo institucionalmente desde os anos 90: um novo e frágil elo social de reparação se formou com os usuários de drogas ilícitas. Sua existência e experiência de vida tornou-se algo valioso a ser usado e compartilhado com resto da sociedade. Seu sofrimento e forma de adoecimento tornou-se instrumento de promoção de saúde para seus pares. Mas este novo valor atribuído socialmente não pode eximir a sociedade de oferecer a ele, e aos demais UDs que demandarem, acesso a um tratamento que permita a reconstituição não apenas do esgarçamento social mas também do intenso sofrimento psíquico frequente em suas histórias. Se a RD busca reduzir os maiores danos o tratamento clínico, como por exemplo a psicoterapia, visa reparar o sofrimento psíquico que antecede e sucede os quadros clínicos associados ao abuso e dependência de substâncias psicoativas.</p>
<p class="text-align-justify">A história de José, em particular sua forma de despedida, fez dele e do momento partilhado algo inesquecível para mim. Esta narrativa agora compartilhada com o leitor contém, como frequentemente acontece no ato da escrita, um gesto de esperança de que possamos continuar contribuir com as ações d&#8217;O Barato no Divã – cursos, seminários e matérias publicadas – com a instituição do encontro e cuidado onde antes havia rejeição e afastamento.</p>
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		<title>XIII. Porque Dia da Mulher é todo dia! Na linha, na veia, no âmago de nosso desamparo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[O Barato no Divã]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 30 May 2021 22:29:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Há pessoas que são pontos de reabastecimento de nós mesmas. Nelas encontramos o que mais amamos em nós, mesmo que seja ainda algo conhecido não pensado. Elas são o lugar de carne osso e alma onde temos a segurança de recuperar a força de quem somos, ou que desejamos vir a ser. Porque nos momentos [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div>Há pessoas que são pontos de reabastecimento de nós mesmas. Nelas encontramos o que mais amamos em nós, mesmo que seja ainda algo conhecido não pensado.</div>
<div></div>
<div>Elas são o lugar de carne osso e alma onde temos a segurança de recuperar a força de quem somos, ou que desejamos vir a ser. Porque nos momentos de desamparo as pessoas se perdem de si, de suas forças, daquilo que as move para a vida, para a esperança e alegria do encontro humano.</div>
<div></div>
<div>Talvez como analistas sejamos poupados em parte de atingir este estado de desamparo não apenas pela análise pessoal, que faz parte intrínseca de nossa formação, quanto pela relação singular que se estabelece numa análise. Acredito que graças ao nosso trabalho como analistas podemos ter alguma imunização frente a experiência na própria pele do desamparo, pois, ao cuidar deste estado trazido por nossos pacientes, somos movidos a encontrar formas de saída deste estado, elaborando e convocando os recursos que nos permite ancorar nossa existência, protegendo-nos de sermos lançados ao sentimento de estar à deriva.</div>
<div></div>
<div>Há mais de um ano atrás acompanhei uma paciente [que não está no presente em análise formal comigo, mas que me procura de quando em quando] durante algumas semanas.</div>
<div></div>
<div>Alguns dias antes de tombar doente pelo COVID-19, colocou-me de volta em sua vida. Colocou-me presente em sua quarentena formal: isolada de sua família em um quarto, em sua casa. Permitiu que eu experimentasse um fragmento do sofrimento que a doença comumente causa. E o fez com delicadeza, partilhando os aspectos de angústia que coadunavam com aquilo que a atormentava em seu âmago de mulher médica implicada até a alma em seu juramento. Felizmente durante todo este período ela pode permanecer respirando bem.</div>
<div></div>
<div>Já saída do quadro, estava bem. Naquele período do início da pandemia este episódio foi o primeiro que me colocou mais perto de uma das versões clínicas da doença. Naquele momento pandêmico, nela quase não havia espaço para si, quase não sendo possível permanecer longe do campo de batalha.</div>
<div></div>
<div>E dentro deste registro experienciava como privilégio suas condições de acesso a cuidados a que ela enquanto paciente podia e devia receber; era nisso que ela pensava nos momentos de sua maior fragilidade. E prometia a si mesma que logo retornaria às trincheiras, onde, acrescento eu, sua maestria certamente continuaria a salvar muitas vidas com o mínimo de sofrimento.</div>
<div></div>
<div>Sua descrição do ato de entubar uma paciente, incluindo a descrição do paramento protetivo que precisava portar, foi épica. Sem espaço para si, fruto em parte pela sua capacidade hipersensível de sentir a dor do mundo, precisava seguir sua saga de herói.</div>
<div></div>
<div>De vez em quando me toma por testemunha. Inscreve em mim os relatos de suas façanhas. Sabe que sou capaz de apreciá-las; mas não sei se voltará a me deixar tratá-la&#8230; Talvez com medo de que a análise possa fazer com que ela se volte um pouco mais para si, e abandone um punhado da multidão dos que necessitam de uma medicina de qualidade que poucos como ela são capazes de oferecer.</div>
<div></div>
<div>Suas últimas realizações já são capazes de afetar mais pacientes, pois em seu posto de trabalho já tem condições de instituir medidas criativas e engajadas numa melhor distribuição do acesso à medicina de excelência. A força de seu compromisso com o melhor possível para todos – o que se coaduna com a proposta original do SUS – foi capaz de mover os colegas envolvidos no mesmo trabalho a abraçarem sua proposta.</div>
<div></div>
<div>Talvez para alguns ela expresse em sua trajetória um aspecto do messianismo que acomete alguns dos médicos mais vocacionados; aspecto que após muita análise talvez permaneça de forma punctual em mim. E sabe? Não quero que este puncto seja apagado.</div>
<div></div>
<div>Em forma punctual isto se manifesta como ‘pensar grande’, ‘não ter alma pequena’.</div>
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		<title>Pandemia, trauma e PDB*</title>
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		<dc:creator><![CDATA[O Barato no Divã]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 May 2021 22:55:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Diva Reale]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na rua do HC, na frente do Pronto Socorro, um alto-falante instalado numa torre avisa os passantes dos riscos da pandemia como o alto-falante do filme&#160;1984&#160;avisava o que teria que ser feito para sobreviver. A palavra parece ser essa. Estamos há um ano sobrevivendo. Estamos vivendo tempos difíceis, onde o desconhecido e o desamparo predominam, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="text-align-justify"><span class="">Na rua do HC, na frente do Pronto Socorro, um alto-falante instalado numa torre avisa os passantes dos riscos da pandemia como o alto-falante do filme&nbsp;</span>1984<span class="">&nbsp;avisava o que teria que ser feito para sobreviver. A palavra parece ser essa. Estamos há um ano sobrevivendo.</span></p>
<p class="text-align-justify">Estamos vivendo tempos difíceis, onde o desconhecido e o desamparo predominam, articulados com a descontinuidade de nosso senso “dos fazeres próprios” que se reflete mais ou menos no nosso senso de ser.</p>
<p class="text-align-justify"><span class="">A pandemia trouxe esse cenário com cores em intensidades variadas para cada um de nós, mas ninguém escapa. Além de tudo é uma situação mundial! Quem diria! Talvez possamos pensar que sua estrutura pode ser comparada ao que, em meu imaginário pelo menos, seria uma guerra mundial. Menos sangue explícito, menos Tarantino, mas mais persecutoriedade, o que me fez lembrar de George Orwell em&nbsp;</span>1984<span class="">&nbsp;.</span></p>
<p class="text-align-justify"><span class="">As epidemias ocorreram desde sempre na história da humanidade. No mundo grego,&nbsp;&nbsp;</span><span class="">Hipócrates chamou de&nbsp;</span>epidemia<span class="">&nbsp;doenças febris que atingiam uma população e de&nbsp;</span>epidemos<span class="">&nbsp;pessoas estranhas a uma cidade que nela entravam, e lá ficavam por algum tempo antes de dela saírem (Ujvari, 2003).</span></p>
<p class="text-align-justify">As epidemias atingem uma população a partir de seu exterior, fazendo aparecer também a percepção de um estranho que nos visita de dentro e que é por ela despertado (Freud, 1919). Esse caráter de estranheza das epidemias se manifesta a partir do desconhecimento e imprevisibilidade que elas trazem na sua essência.</p>
<p class="text-align-justify"><span class="">Atualmente fomos surpreendidos por um vírus, SARS-CoV-2, originário da China, coincidentemente vindo do oriente como a peste referida em&nbsp;</span>Decamerão<span class="">&nbsp;de Giovanni Boccaccio, de 1348. Quase sete séculos depois nos vemos igualmente frente a um novo agente patogênico ao homem, com potencial mortífero, inclusive por sua alta contagiosidade. Além disso, apesar de possuir uma organização biológica bastante precária desafia os conhecimentos científicos do nosso tempo. Somos assim lançados no campo do medo, do desamparo e da fragilidade.</span></p>
<p class="text-align-justify">Nesse contexto, uma crise bate à nossa porta – uma crise pessoal, familiar, nacional e mundial. Podemos correlacionar o conceito de crise com o de trauma, não aquele estruturante mas aquele que nos assola sem aviso e nos desestrutura. Não podemos apenas lamentar a situação pois sem crises não há desenvolvimento.</p>
<p class="text-align-justify">Essa situação tem em si um potencial traumático e traz repercussões diferentes para cada um de nós na medida que se liga a nossas experiências prévias de falta e desamparo, associado a nossa condição de integrá-las e elabora-las. Deve ser discriminada dos traumas constitutivos onde a falta é necessária à constituição do sujeito, fazendo parte do desenvolvimento psíquico. Aqui falamos de uma experiência excessiva, intrusiva, que “rasga” a possibilidade de continência de cada um e que poderá ter um efeito disruptivo se não puder ser devidamente processada e elaborada. Entretanto, a instalação de uma situação traumática é complexa e vai depender do desenvolvimento psíquico de cada um, assim como das condições do ambiente, quer seja a família, a comunidade, as políticas públicas e os serviços de saúde que puderem prevenir um desenrolar desestruturante ao ajudar o indivíduo no seu processo de elaboração de perda que a situação comporta.</p>
<p class="text-align-justify">A complexidade da situação não para aí porque em qualquer momento a desorganização ou não decorrente da situação traumática vai depender também da presença de uma “pessoa prestativa” que possa ajudar com sua “mente funcionante” a transformar o impacto de experiências emocionais vividas sensorialmente em pensamentos significativos, através de ligações com as fantasias inconscientes que irão dar um sentido a essas experiências, sentido este que será integrado ao todo do sujeito.</p>
<p class="text-align-justify">Na esteira de eventos traumáticos que atingiram uma proporção mundial surgiu a PDB na década de 60 em dois continentes distintos, na Inglaterra com os trabalhos de David Malan (1963) e nos EUA com Peter Sifneos (Grove, JE, 1996). É tributária da experiência e necessidade gerada após as I e II Guerras Mundiais onde a demanda por tratamento psicológico extrapolou em muito as condições de atendimento. Também foi importante a demanda gerada por outras situações de desastres pontuais como o incêndio na Coconut Grove em Boston.</p>
<p class="text-align-justify">A PDB desenvolveu-se na direção de favorecer o acesso a uma parcela da população que necessita de psicoterapia para a qual pode ser delimitar uma meta a ser atingida que pode ser endereçada por uma interpretação básica e se relaciona a um conflito intrapsíquico emergente. Este se constitui no foco da psicoterapia e é atualizado na fase de término favorecendo a sua elaboração.</p>
<p class="text-align-justify"><span class="">Em 2020 o IPq-HC-FMUSP mobilizou o Serviço de Psicoterapia para o atendimento emergencial dos profissionais de saúde do complexo hospitalar que estavam trabalhando basicamente com situações referentes à pandemia. Foi oferecida uma psicoterapia de 4 sessões com possibilidade de expansão até 10-12 sessões aos profissionais que acessaram a&nbsp;</span>hotline<span class="">&nbsp;aberta 24h para o primeiro atendimento desses profissionais.&nbsp;</span></p>
<p class="text-align-justify">A avaliação pós término da PDB levou à constatação de desfechos variados, desde a percepção de aspectos da vida emocional que aparecem na situação despertada pela pandemia, com ganho de interesse e curiosidade, com desejo de adentrar um processo psicoterápico, até a possibilidade de ajudar uma reorganização concreta permitindo que uma desorganização psíquica não ocorresse.</p>
<p class="text-align-justify">Estamos ainda sofrendo as repercussões psíquicas que a crise deflagrada pela pandemia determinou e muito ainda é demandado em termos de saúde mental nos níveis pessoal e populacional. A experiência acumulada nestes atendimentos em 4 sessões nos mostrou de forma viva que a potencialidade da PDB ultrapassa o seu uso habitual para pacientes nos quais podemos delimitar um foco de trabalho e que têm uma boa motivação para mudança, podendo ser muito útil em momentos de crise como a atual.</p>
<p class="text-align-justify">_____________________________</p>
<p class="text-align-justify">*Psicoterapia Dinâmica Breve de Orientação Analítica</p>
<p class="text-align-justify">_____________________________</p>
<p class="text-align-justify size-16 m-size-13"><span class="font-size-16 m-font-size-13">Referências</span></p>
<p class="text-align-justify size-16 m-size-13"><span class="font-size-16 m-font-size-13">Freud, S. (2010)&nbsp;</span><span class="font-size-16 m-font-size-13">O inquietante</span><span class="font-size-16 m-font-size-13">&nbsp;. In S. Freud,&nbsp;</span><span class="font-size-16 m-font-size-13">Obras Completas</span><span class="font-size-16 m-font-size-13">&nbsp;(P. C. Souza, Trad., Vol. 14, pp. 247-283). São Paulo: Companhia das Letras. (Trabalho original publicado em 1919).</span></p>
<p class="text-align-justify size-16 m-size-13"><span class="font-size-16 m-font-size-13">Malan DH.(1963) The assessment of therapeutic results. In: The study of brief psychotherapy. 1.ed. London: Tavistock Publications, 43-50.</span></p>
<p class="text-align-justify size-16 m-size-13"><span class="font-size-16 m-font-size-13">Schkolnik, F. (2005). Efectos de lo traumático en la subjetivación.&nbsp;</span><span class="font-size-16 m-font-size-13">Revista&nbsp;</span><span class="font-size-16 m-font-size-13">Uruguaya de Psicoanálisis</span><span class="font-size-16 m-font-size-13">&nbsp;, 100, 73-90.</span></p>
<p class="text-align-justify size-16 m-size-13"><span class="font-size-16 m-font-size-13">Sifneos, P – Two diferente kinds of psychotherapy of short duration. In:&nbsp;</span><span class="font-size-16 m-font-size-13">Essential papers on short psychotherapy</span><span class="font-size-16 m-font-size-13">&nbsp;. Ed. James E. Grove, 1996, p. 400-436.&nbsp; &nbsp;</span></p>
<p class="text-align-justify size-16 m-size-13"><span class="font-size-16 m-font-size-13">Ujvari, S.C. (2003).&nbsp;</span><span class="font-size-16 m-font-size-13">A história e suas epidemias &#8211; A convivência do homem com&nbsp;</span><span class="font-size-16 m-font-size-13">os microorganismos</span><span class="font-size-16 m-font-size-13">&nbsp;(pp. 24). São Paulo/ Rio: Senac.</span></p>
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